Leitura Semanal - Diários do Vampiro, o retorno: Meia-Noite #19

                      

Sinopse: Elena retorna da Dimensão das Trevas, tendo liberto seu namorado vampiro Stefan Salvatore do aprisionamento... Mas não sem uma consequência. Sua salvação custará bastante. Ainda se recuperando do último choque, eles são forçados a encarar os demônios que dominaram Fell's Church. Elena deve tomar uma decisão que custará seu amor: Damon ou Stefan?

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Capítulo 35

  Elena se sentiu como se não tivesse feito nada em toda sua vida, exceto andar sob a sombra de uma árvore com ramos altos. Não estava frio lá, mas sim quente. Não estava escuro, mas sim opaco. Ao invés da luz carmesim constante do Sol vermelho inchado na Dimensão das Trevas, eles andavam sob um crepúsculo constante. Era enervante sempre olhar para cima, para o céu, e nunca ver a lua... Ou luas... Ou o planeta... Que poderia muito bem estar lá em cima. Ao invés de céu, não havia nada a não ser galhos de árvores emaranhados, claramente pesados e intrinsecamente entrelaçados como que para ocupar o espaço todo acima.
  Ela estava ficando louca, ao pensar que eles talvez pudessem estar na lua, na pequena lua brilhante de diamante, que você poderia ver do lado de fora do Portal do Mundo Inferior? Ela era muito pequena para ter uma atmosfera? Pequena demais para ter uma gravidade adequada? Ela havia percebido que ela se sentia mais leve aqui, e que Bonnie parecia mais alta. Será que ela poderia...? Ela flexionou suas pernas, soltou a mão de Stefan, e pulou.
  Foi um salto longo, mas não a levou a qualquer lugar próximo à copa de galhos entrelaçados acima. E ela também não pousou devidamente com os seus pés.
  Ela escorreu em direção às folhas e deslizou de bumbum por, talvez, noventa centímetros antes que pudesse cravar seus dedos e pés e, por fim, parar.
  — Elena! Você está bem?
  Ela pôde ouvir Stefan e Bonnie dizerem isso por detrás dela, seguido de um rápido e impaciente: “Você é louca?“ de Damon.
  — Eu estava tentando descobrir onde nós estamos testando a gravidade — Ela disse, erguendo-se sozinha e tirando as folhas de seus jeans, humilhada.
  Mas que droga! Aquelas folhas haviam ficado presas nas costas de sua camiseta, entrando até mesmo em sua camisola. O grupo havia deixado a maioria de suas peles lá na Casa de Portais, onde Sage poderia guardá-las, e Elena nem sequer tinha uma roupa reserva.
  Isso foi idiotice, ela disse a si mesmo, realmente brava agora.
  Envergonhada, ela tentou andar e se sacudir ao mesmo tempo, para tentar tirar as folhas trituradas de seu corpo. Finalmente ela teve que dizer:
  — Garotas, vocês poderiam olhar para o outro lado? Bonnie, você poderia vir aqui me ajudar?
  Bonnie ficou feliz em ajudar e Elena ficou espantada com o tanto de tempo que levou para tirarem todas as folhas de suas costas.
  Na próxima vez que você quiser uma opinião científica, tente perguntar, a telepatia desdenhosa de Damon comentou.
  Em voz alta, ele adicionou:
  — Eu diria que a gravidade é cerca de oitenta por cento igual à da Terra e devemos estar na lua. Não que isso signifique alguma coisa. Se Sage não nos tivesse ajudado com essa bússola, nunca seríamos capazes de encontrar o tronco da árvore... Pelo menos, não a tempo.
  — E lembrem-se — Elena disse — que a ideia de que a Esfera Estelar está próxima ao tronco é só um palpite. Temos que manter nossos olhos bem abertos!
  —Mas o que devemos procurar?
  Bonnie gemeu uma vez. Mas agora ela simplesmente perguntou silenciosamente.
  — Bem... — Elena virou-se para Stefan — Ela vai brilhar, não vai? Contra esta horrível penumbra?
  — Contra esta horrível penumbra de camuflagem verde — Stefan concordou. — Ela deve ser semelhante a uma luz pouco brilhante em deslocamento.
  — Mas pensem assim — Damon disse, andando de volta para trás e dando-lhes por um segundo o seu gracioso e brilhante sorriso de duzentos e cinquenta quilowatts —, se não seguirmos a sugestão de Sage, nós nunca encontraremos o tronco. Se tentarmos vagar aleatoriamente ao redor deste mundo, nunca encontraremos nada... Nem o nosso caminho de volta. E então, não será só Fell’s Church que deixará de existir, nós todos morreremos, nesta ordem: primeiro, os dois vampiros deixaram de lado o seu comportamento civilizado, por causa da fome...
  — Não o Stefan — Gritou Elena.
  E Bonnie disse:
  — Você é tão mau quanto o Shinichi, com essas suas “revelações” sobre nós!
  Damon sorriu sutilmente.
  — Se eu fosse tão mau quanto o Shinichi, passarinho, você já estaria sendo amassada como uma caixa de suco vazia... Ou eu estaria lá, sentado ao lado de Sage, saboreando Black Magic...
  — Olha, isso é inútil — Stefan disse.
  Damon fingiu simpatia.
  — Talvez você possa ter... Problemas… Com sua área canina, mas eu não tenho, maninho.
  Ele deliberadamente ostentou o sorriso, desta vez para que todos pudessem ver os dentes afiados.
  Stefan não mordeu a isca.
  — E isso está nos atrasando...
  — Errado, maninho. Alguns de nós dominamos a arte de falar e andar ao mesmo tempo.
  — Damon... Pare com isso. Pare! — Elena disse, esfregando sua testa quente com seus dedos frios.
  Damon deu de ombros, ainda movendo-se para trás.
  — Você só tinha que pedir — Ele disse, com uma leve ênfase na primeira palavra.
  Elena não disse nada de volta. Ela se sentia febril.
  Não era um caminho em linha reta. Frequentemente havia enormes montes de raízes retorcidas no caminho, que deviam ser escalados. Às vezes, Stefan tinha que usar o machado em sua mochila para fazer pontos de apoio.
  Elena começou a odiar a penumbra verde mais do que tudo. Ela pregava peças em seus olhos, assim como o som abafado de seus pés no chão coberto de folhas pregava peças em seus ouvidos. Várias vezes ela parou... E uma vez Stefan disse:
  — Tem mais alguém aqui! Está no seguindo!
  Em todas as vezes eles todos tiveram de parar para ouvir atentamente. Stefan e Damon enviaram sondas telepáticas de Poder o mais longe que puderam chegar, em busca de outra mente. Mas ou ela estava bem disfarçada, a ponto de ser invisível, ou ela nem ao menos existia.
  E então, depois de Elena se sentir como se tivesse andado durante sua vida toda, e que teria que andar até que eternidade chegasse ao fim, Damon parou abruptamente. Bonnie, bem atrás dele, prendeu a respiração. Elena e Stefan correram para frente para verem o que era.
  O que Elena viu fê-la dizer, sem firmeza:
  — Eu acho que perdemos o tronco e... Encontramos... A beirada do mundo...
  No chão em frente dela, e até onde ela podia ver, havia uma escuridão repleta de estrelas do espaço. Mas tirando as estrelas, havia um planeta gigante e duas luas enormes, uma azul e branca que rodava e a outra prateada.
  Stefan estava segurando sua mão, compartilhando seus pensamentos com ela, e um formigamento correu sobre o braço dela e de repente seus joelhos ficaram fracos, só pelo leve toque dos dedos dele.
  Então Damon disse sarcasticamente:
  — Olhem para cima.
  Elena olhou e arfou. Por um instante seu corpo pareceu complemente mais leve. Ela e Stefan automaticamente enrolaram seus braços em torno de si. E então Elena percebeu o que eles estavam vendo, tanto em cima como embaixo.
  — É água — Ela disse, encarando a piscina espalhada bem acima deles.
  — Uma das águas que o Sage nos disse. E não toquem nisto. Nem assoprem.
  — Mas parece mesmo que estamos naquela lua menor — Stefan disse suavemente, seus olhos aparentavam inocência enquanto ele olhava para Damon.
  — Sim, bem, então há algo excessivamente mais pesado no centro desta pequena lua, para permitir que haja oito décimos da gravidade que experimentamos normalmente, e para haver atmosfera... Mas quem se importa com a lógica? Este é um mundo que alcançamos através do Mundo Inferior. Por que aplicaríamos lógica?
  Ele olhou para Elena com seus olhos um pouco semicerrados.
  — Onde está a terceira? A séria?
  A voz veio detrás deles... Ele pensou.
  Ela estava... Eles todos estavam... Virando-se para olhar a brilhante luz no meio daquela penumbra. Tudo brilhava e dançava diante de seus olhos.

“A séria Meredith; a Bonnie risonha;
E Elena com cabelos dourados.
Elas sussurram e então ficam em silêncio...
Elas aprontam e eu não dou mais a mínima...
Mas eu devo conquistar Elena,
Elena com os Cabelos Dourados...”


  — Bem, você não vai me conquistar! — Gritou Elena. — E esta citação está completamente incorreta, de qualquer forma. Eu me lembro dela na minha aula de inglês do primeiro ano. E você é maluco!
   Mesmo com sua raiva e medo, ela se perguntou sobre Fell’s Church. Se Shinichi estava ali, ele poderia trazer a Última Meia-Noite para lá? Ou Misao poderia simplesmente trazê-la?
  — Mas eu vou te conquistar, Elena dourada — O kitsune disse.
  Tanto Stefan quanto Damon tiraram suas facas.
  — É aí que você se engana, Shinichi — Stefan disse. — Você nunca, nunca mais tocará na Elena novamente.
  — Eu tenho que tentar. Vocês tiraram todo o resto de mim.
  O coração de Elena estava batendo fortemente agora.
  Se ele for falar algo que tenha sentido para alguém, será comigo, ela pensou.
  — Você não devia estar se preparando para a Última Meia-Noite, Shinichi? — Ela perguntou num tom amigável, temendo, em seu interior, que ele dissesse: “Já terminou.”
  — Ela não precisa de mim. Ela não protegeria Misao. Por que eu deveria ajudar ela?
  Por um instante Elena não pôde falar. Ela? Ela? Outra além de Misao, outra “Ela” estava envolvida nisto?
  Damon segurava uma besta* agora, com uma flecha carregada. Mas Shinichi simplesmente se esquivou.
* Para quem não sabe, isto é uma besta: http://cache02.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//90/0a/86/33982_0003hzkc.jpg
  — Misao não consegue mais se mover. Ela havia colocado todo seu Poder dentro da Esfera Estelar, entendem? Ela nunca mais riu ou cantou... Nunca mais aprontou comigo. Ela simplesmente... Ficou parada — Ele disse. — Finalmente, ela me pediu para colocá-la dentro de mim. Ela pensou que nos tornaríamos um só deste jeito. Então ela se dissolveu e incorporou-se direto em mim. Mas isso não ajudou. Agora... Eu mal posso ouvi-la. Eu vim para buscar minha Esfera Estelar. Eu a tenho usado para viajar através das dimensões. Se eu colocar Misao na minha Esfera Estelar, ela vai se recuperar. Então e a esconderei novamente... Mas não onde eu a deixei da última vez. Eu a colocarei num lugar bem mais alto, onde ninguém mais poderá encontrá-la.
  Ele parecia estar focado em seus ouvintes.
  — Então eu acho que somos Misao e eu que estão falando com vocês neste instante. Exceto que eu estou muito solitário... Eu não posso mais senti-la.
  — Você não vai tocar na Elena — Stefan disse silenciosamente.
  Damon estava olhando sombriamente para o resto do grupo, para as palavras de Shinichi: “... Eu a colocarei num lugar bem mais alto...”
  — Vai, Bonnie, continue andando — Stefan adicionou. — Você também, Elena. Nós as seguiremos.
  Elena deixou Bonnie ir alguns centímetros à frente antes de dizer telepaticamente:
  Não podemos nos separar, Stefan; só há uma bússola.
  Cuidado, Elena! Ele pode te ouvir!
  Veio a voz de Stefan, e Damon adicionou sem rodeios:
  Calem a boca!
  — Não se incomode em mandá-la calar a boca — Shinichi disse. — Você é louco se pensa que eu só consigo pegar os pensamentos que vocês estão pensando agora. Eu não pensei que você fosse tão burro.
  — Não somos burros — Bonnie disse acaloradamente.
  — Não? Então vocês descobriram os enigmas que eu fiz para vocês?
  — Não é hora para isso — Elena rebateu.
  Isso foi um erro, pois fez com que Shinichi se focasse nela novamente.
  — Você contou a eles o que você pensa sobre a tragédia de Camelot, Elena? Não, eu não pensei que você teria coragem. Eu direi, então, posso? Eu li enquanto você escrevi em seu diário.
  — Não, você não pode ter lido meu diário! De qualquer forma... Não se aplica mais aqui! — Elena ostentou.
  — Deixe-me ver… Essas são as suas próprias palavras...
  Ele assumiu uma voz de leitura.
  “Querido diário,
  Um dos enigmas de Shinichi era o que eu pensei ser sobre Camelot. Você sabe, a lenda do Rei Arthur, a Rainha Guinevere e o cavaleiro que ela amava, Lancelot. E aqui vai o que eu pensei: muitas pessoas inocentes morreram e ficaram miseráveis porquê três pessoas egoístas — um rei, uma rainha e um cavaleiro — não se comportavam civilizadamente. Eles não conseguiam compreender que quanto mais você ama, mais amor você encontra. Mas esses três não poderiam desistir do amor, e simplesmente o compartilharam... Os três...
  — Cala a boca! — Berrou Elena. — Cala a boca!
  Meu Deus, Damon disse, minha vida é isso aí.
  A minha também. Stefan parecia tonto.
  Só esqueçam isso tudo, Elena disse a eles. Não é mais verdade. Stefan, eu sou sua para sempre, e eu sempre fui. E agora temos que nos livrar deste idiota e correr para o tronco.
  — Misao e eu costumávamos fazer isso — Shinichi disse. — Falar com nós mesmos, em uma frequência especial. Você certamente é uma boa manipuladora, Elena, ao evitar que eles se matem por sua causa.
  — Sim, é uma frequência especial que eu chamo de verdade — Elena disse. — Mas eu não sou metade da manipuladora que Damon é. Agora, nos ataque ou deixe-nos ir embora. Estamos com pressa!
  — Atacar vocês?
  Shinichi parecia estar pensando na ideia. E então, mais rápido do que Elena pôde acompanhar, ele foi em direção à Bonnie. Os vampiros, que estavam esperando que ele fosse até Elena, foram pegos de guarda baixa, mas Elena, que havia visto o brilho dos olhos dele em direção à garota mais fraca, já estava pulado em direção a ele. Ele voltou tão rápido que ela encontrou-se indo direto para as suas pernas, mas então ela percebeu que ela tinha uma chance de tirar-lhe o equilíbrio. Ela deliberadamente foi com o objetivo de dar uma cabeçada em seu joelho, ao mesmo tempo em que daria uma facada no pé dele.
  Perdão, Bonnie, ela enviou, sabendo o que ele faria. Seria o mesmo que havia feito o seu fantoche, Damon, na época em que ele havia feito Elena e Matt de reféns... Exceto que ele não precisava de um galho de pinheiro para fazer dor. Uma energia negra surgiu em suas mãos, indo diretamente para o corpinho de Bonnie.
  Mas havia outro fator que ele não havia levado em conta. Quando ele fez Damon atacar Matt e Elena, ele teve o bom senso de ficar longe enquanto Damon direcionava agonia para os corpos deles. Desta vez, ele agarrou o corpo de Bonnie e colocou suas mãos em volta dela. E Bonnie era uma telepata excelente, principalmente nas projeções. Quando a primeira onda de agonia a atingiu, ela gritou... E redirecionou a dor para Shinichi.
  Era como se houvesse completado um circuito. Não fez com que Bonnie se machucasse menos, mas significava que tudo que Shinichi fizesse a ela, ele sentiria em seu próprio corpo, amplificado por causa do medo de Bonnie. Foi neste sistema que Elena entrou com tudo. Quando sua cabeça deu de impacto com o joelho dele, o osso desta região estava bem frágil, e algo lá dentro quebrou. Atordoada, ela concentrou-se em mirar a faca em direção aos pés no solo abaixo.
  Não teria funcionado se ela não tivesse dois vampiros extremamente ágeis bem atrás dela. Já que Shinichi não havia caído, ela teria de levantar e ficar ao nível de seu pescoço para poder esfaqueá-lo ali.
  Mas Stefan estava a uma fração de segundos atrás dela. Ele a agarrou e estavam fora do alcance de Shinichi antes que o kitsune pudesse avaliar melhor a situação.
  — Me solta — Elena arfou para Stefan.
  Ela estava determinada a salvar Bonnie.
  — Eu deixei cair minha faca — Ela acrescentou astuciosamente, encontrando um motivo mais concreto para forçar Stefan a soltá-la para que pudesse voltar à briga.
  — Onde?
  — Próximo aos pés dele, é claro.
  Ela pôde sentir Stefan tentando segurar uma risada exagerada.
  — Acho que aquele é um bom lugar para deixá-la. Pegue uma das minhas — Ele adicionou.
  Se vocês já terminaram de papear, é melhor vocês virem aqui para acabarmos com ele, veio a fria telepatia de Damon.
  Neste momento Bonnie desmaiou, mas com seu próprio circuito telepático ainda bem aberto e direcionado de volta para Shinichi. E agora Damon havia ficado no modo ofensivo, como se ele não se importasse como o bem-estar de Bonnie, contanto que ele a tirasse das garras de Shinichi.
  Stefan, rápido como uma cobra, foi em direção a uma das muitas caudas que balançavam atrás de Shinichi, anunciando seu tremendo Poder. A maioria delas era translúcida, e elas cercavam sua verdadeira cauda — a cauda vermelho-vivo que toda raposa tinha.
  A faca de Stefan cortou uma e a cauda fantasma caiu ao chão e então desapareceu. Não houve sangue, mas Shinichi ajoelhou-se cheio de fúria e dor.
  Damon, por sua vez, foi impiedosamente atacar de frente. Como Stefan havia distraído o kitsune por trás, Damon cortou ambos os pulsos do kitsune — um de forma rápida, enquanto o outro como se quisesse arrancar-lhe o membro. Então ele deu outro golpe, no momento em que Stefan, com Elena segurando-se em seu quadril como se fosse um bebê, arrancava outra cauda fantasma.
  Elena estava lutando. Ela estava seriamente preocupada que Damon pudesse matar Bonnie para chegar até Shinichi. Além disso, ela não seria trata como uma peça de bagagem! A civilização havia sumido em torno dela enquanto ela reagia ao seus instintos mais profundos: proteger Stefan, proteger Bonnie, proteger Fell’s Church. Derrotar o inimigo. Ela mal percebeu que, em seu estado, ela havia afundado seus dentes fracos, mas ainda dentes humanos, no ombro de Stefan.
  Ele estremeceu um pouco, mas ele a ouviu.
  Bem, tente pegar a Bonnie, então... Veja se você pode ajudá-la.
  Ele a soltou justo quando Shinichi virou-se para encará-lo, canalizando a dor negra diretamente para Stefan que, na Terra, havia sido lançada sobre os pés de Matt e Elena.
  Elena, após ser lançada, descobriu que todos estavam agindo em turnos, como que para protegê-la e, de repente, ela viu uma oportunidade. Ela pegou a forma mole de Bonnie e Shinichi deixou cair a menina menor nos braços dela.
  Palavras estavam ecoando no cérebro de Elena. Tente pegar a Bonnie. Veja se você pode ajudá-la.
  Bem, ela estava com a Bonnie agora. Seus sentidos dividiram as ordens de Stefan.
  ... afaste-se de Shinchi. Ela é uma refém de valor inestimável.
  Elena descobriu que ela poderia quase gritar de tão furiosa que estava agora. Ela tinha que manter Bonnie a salvo... Mas isso significava abandonar Stefan, o nobre Stefan, à mercê de Shinichi. Ela afastou Bonnie para longe — tão pequena e delicada — e ao mesmo tempo deu uma olhada para trás, para Stefan. Ele estava com uma leve carranca de concentração agora, mas ele não estava só sendo esmagado pela dor; ele estava avançando ao ataque.
  Mesmo quando a cabeça de Shinichi começou a ficar em chamas. As pontas vermelhas e brilhantes de seu cabelo preto tinham explodido em chamas, como se nada mais pudesse expressar sua inimizade e sua certeza de vencer.
  Parecia que ele estava uma coroa de fogo, uma auréola infernal.
  Nisto, a raiva de Elena transformou-se em arrepios que desceram sua espinha enquanto ela assistia a algo que a maioria das pessoas nunca viveu para analisar: dois vampiros atacando juntos, perfeitamente em sintonia. Havia a selvageria elementar, como nas aves ou nos lobos, mas havia também a beleza impressionante de duas criaturas que trabalhavam como um único e unificado corpo.
  Pelas expressões de Stefan e de Damon, podia-se perceber que aquela era a batalha final. A carranca ocasional de Stefan e o sorriso cruel de Damon significavam que Shinichi estava enviando seu Poder abrasador e obscuro para os dois. Mas não eram humanos fracos com quem Shinichi estava lidando agora. Ambos era vampiros com corpos que se curavam quase que instantaneamente — e vampiros que haviam se alimentado recentemente... Dela, Elena. Seu sangue extraordinário era como um combustível para eles.
  Então eu já sou parte disto, Elena pensou. Eu os estou ajudando neste instante.
  Isto teria que satisfazer a selvageria que esta luta sem barreiras provocava nela. Arruinar a perfeita sincronia que os dois vampiros tinham para manipular Shinichi seria um crime, especialmente quando Bonnie ainda estava mole em seus braços.
  Sendo nós duas humanas, somos passivas, ela pensou. E Damon não hesitaria em me dizer isso, mesmo quando tudo o que eu queria era entrar para dar um só golpe.
  Bonnie, acorda, Bonnie, ela pensou. Segure-se em mim. Estamos dando o fora daqui.
  Ela pegou a garota menor sob as axilas e a arrastou. Ela arrastou-se para a penumbra oliva que se estendia em todas as direções. Quando ela tropeçou em uma raiz e, acidentalmente, se sentou, ela decidiu que havia ido longe o bastante, manobrando Bonnie para o seu colo.
  Então ela colocou suas mãos em torno do rostinho em formato de coração de Bonnie e pensou nas coisas mais reconfortantes que pôde. Um mergulho em Warm Springs. Uma banho quente na casa de Lady Ulma e, em seguida, uma massagem, deitadas confortavelmente em um sofá com o cheiro de incenso floral subindo ao seu redor. Um afago em Sabber na pensão da Sra. Flowers. A decadência de dormir tarde e acordar em sua própria cama... Com sua própria mãe, pai e irmã em casa.
  Assim que Elena pensou nisso, ela não pôde evitar ao dar um pequeno suspiro, e uma lágrima caiu na testa de Bonnie. Os cílios de Bonnie se abriram.
  — Não fique triste — Ela sussurrou. — Elena?
  — Eu tenho você, e ninguém vai machucá-la novamente. Você ainda não se sente bem?
  — Estou um pouquinho melhor. Mas eu pude te ouvir, na minha mente, e isso fez com que eu me sentisse melhor. Eu quero longo banho e uma pizza. E segurar a bebê Adara. Ela quase pode andar, você sabe. Elena… Você não está me escutando!
  Elena não estava. Ela estava assistindo ao desfecho da luta entre Stefan, Damon e Shinichi. Os vampiros haviam feito o kitsune se ajoelhar e agora estavam disputando sobre ele como se fossem um casal de filhotes de passarinho ao longo de um verme particularmente saboroso. Ou, talvez, como um casal de filhotes de dragão... Elena não tinha certeza se pássaros sibilavam um para o outro.
  — Oh, não... Eca!
  Bonnie viu o que Elena estava assistindo e entrou em colapso, escondendo sua cabeça contra o ombro de Elena.
  Ok, Elena pensou. Eu entendo. Não há nenhum tipo de selvageria em você, há, Bonnie? Malícia, sim, mas nada como a sede de sangue. E isso é bom.
  Mesmo enquanto ela pensava nisso, Bonnie sentou, erguendo-se em linha reta e batendo no queixo de Elena, apontando à distância.
  — Espera! — Ela gritou. — Você está vendo isso?
  Isso era uma luz muito brilhante, que queimava cada vez mais à medida que cada vampiro encontrava um lugar a seu gosto para atingir Shinichi, ao mesmo tempo.
  — Fique aqui — Elena disse um pouco grossa, pois quando Bonnie havia colidido com seu queixo, ela acidentalmente mordeu a língua.
  Ela correu de volta para os dois vampiros e bateu em suas cabeças o mais forte que pôde. Ela tinha que ganhar suas atenções antes que eles ficassem completamente no modo de alimentação.
  Como não era de se surpreender, Stefan voltou ao normal primeiro, e então a ajudou a puxar Damon para longe de seu inimigo derrotado.
  Damon rosnou e começou a andar, nunca tirando os olhos de Shinichi enquanto o kitsune abatido lentamente se sentou. Elena percebeu gotas de sangue espalhadas. Então ela viu, escondido no cinto de Damon, algo preto, vermelho e lustroso: a cauda verdadeira de Shinichi.
  A selvageria se foi... Rapidamente. Elena queria esconder a cabeça no ombro de Stefan, mas virou o rosto para um beijo.
  Stefan ficou constrangido.
  Então Elena se afastou e eles formaram um triângulo em volta de Shinichi.
  — Nem pense em atacar — Damon disse agradavelmente.
  Shinichi deu levemente de ombros.
  — Atacar vocês? Por que me incomodaria? Vocês não terão nada para por que voltar, mesmo se eu morrer. As crianças estão pré-programadas para matar. Mas — Com uma veemência súbita —, eu queria que nunca tivéssemos ido à sua maldita cidade... E eu queria que nunca tivéssemos seguido as ordens Dela. Eu queria nunca ter deixado Misao se aproximar Dela! Eu queria que...
  Ele parou de falar de repente.
  Não, é mais do que isso, Elena pensou.
  Ele congelou, com os olhos bem abertos, encarando.
  — Oh, não — Ele sussurrou. — Oh, não, eu não quis dizer isso! Eu não quis! Eu não me arrependo...
  Elena teve o pressentimento de algo estava vindo até eles numa velocidade tremenda, tão rápida, na verdade, que ela só teve tempo de abrir sua boca antes daquilo atingir Shinichi.
  O que quer que fosse, o matou e foi embora sem tocar em mais ninguém.
  Shinichi caiu de cara na sujeira.
  — Não se incomode — Elena disse delicadamente, enquanto Stefan reflexivamente moveu-se em direção ao cadáver. — Ele está morto. Ele fez isto a si mesmo.
  — Mas como? — Stefan e Damon exigiram em coro.
  — Eu não sou uma expert — Elena disse. — Meredith é a expert nisto. Mas ela me disse que kitsune só podem ser mortos ao destruirmos suas Esferas Estelares, ou dando-lhes um tiro com uma bala abençoada... Ou pelo “Pecado do Arrependimento”. Meredith e eu não sabíamos o que isso significava naquela época... Isso foi antes de nós irmos à Dimensão das Trevas. Mas eu acho que acabamos de vê-lo em ação.
  — Então você não pode ser um kitsune e se arrepender de alguma coisa que você tenha feito? Isso é... Desagradável — Stefan disse.
  — Nem tanto — Damon disse secamente. — Mas se isso funcionasse com vampiros, não há dúvidas de que você ficaria permanentemente morto quando acordasse no jazido de nossa família.
  — Antes — Stefan disse sem demonstrar expressão —, eu tinha me arrependido de ter te dado o golpe mortal, enquanto eu estava morrendo. Você sempre disse que eu me sinto muito culpado, mas isto é uma coisa que eu gostaria de poder mudar.
 Houve um silêncio que se estendeu e se estendeu. Damon estava na frente do grupo agora, e ninguém além de Bonnie podia ver seu rosto.
  De repente Elena pegou a mão de Stefan.
  — Nós ainda temos uma chance! — Ela disse para ele.
  — Bonnie e eu vimos algo brilhando por ali! Vamos correr!
  Ele e Elena ultrapassaram Damon correndo e ele pegou a mão de Bonnie também.
  — Igual o vento, Bonnie!
  — Mas com Shinichi morto... Bem, temos mesmo que encontrar a Esfera Estelar dele, ou a maior Esfera Estelar, ou sei-lá-o-quê que está escondida neste lugar horrível? — Bonnie perguntou.
  Certa vez, ela teria gemido, Elena pensou. Agora, apesar de qualquer dor que ela sentisse, ela estava correndo.
  — Receio que temos mesmo que encontrá-la — Stefan disse. — Porque, segundo o que ele disse, Shinichi não estava no comando, no final das contas. Ele e sua irmã estavam trabalhando para alguém, alguém do sexo feminino. E quem quer que Ela seja, Ela deva estar atacando Fell’s Church agora.
  — As probabilidades apenas mudaram — Elena disse. — Nós temos uma inimiga desconhecida.
  — Mas ainda assim...
  — A sorte — Elena disse — está lançada.


Capítulo 36

  Matt quebrou muitas regras de trânsito a caminho da rua das Saitou. Meredith se inclinou sobre o console entre os dois banco da frenrte para que ela pudesse ver o relógio digital que marcava meia-noite, e para que ela pudesse assistir a transformação da Sra. Flowers. Finalmente, sua mente recentemente sã e sensível forçou palavras para sua boca.
  — Sra. Flowers... Você está mudando.
  — Sim, Meredith, amada. Um pouco disto deve-se ao presentinho que Sage deixou para mim. Outro pouquinho é da minha própria vontade... Para voltar aos dias em que estava na flor da idade. Eu acredito que esta será minha última batalha, então eu não me importo em usar toda a minha energia nela. Fell’s Church deve ser salva.
  — Mas... Sra. Flowers… O povo daqui… Bem, eles não têm sido… Exatamente legais com… — Matt gaguejou até que parou de falar.
  — O povo daqui é igual ao povo de outros lugares — A Sra. Flowers disse calmamente. — Trate-os como você gostaria de ser tratado, e as coisas ficarão bem. Isso só começou quando eu me deixei transformar em uma velha solitária e amarga, sempre ressentida com o fato de que eu tive de transformar minha casa em uma pensão só para pagar as despesas, para que as pessoas começassem a me tratar... Bem, na melhor das hipóteses, como uma velha maluca solitária.
  — Oh, Sra. Flowers... E nós temos sido um incômodo para você! — Meredith descobriu que as palavras vinham sem ela querer.
  — Vocês têm sido uma salvação para mim, menina. O querido Stefan foi o começo, mas como você pode imaginar, ele não quis explicar todas as suas diferenças para mim, e eu estava suspeitando dele. Mas ele foi sempre cordial e respeitoso e Elena era como a luz do Sol, e Bonnie como uma risada. Eventualmente, quando eu deixei minhas barreiras caírem, vocês, jovens, fizeram o mesmo. Eu não direi nada sobre vocês aqui presentes para não envergonhá-los, mas vocês fizeram um bem danado para mim.
  Matt ultrapassou outro sinal de pare e limpou sua garganta. Em seguida, com o volante oscilando um pouco, ele a limpou novamente.
  Meredith assumiu:
  — Eu acho que o que Matt e eu queremos dizer é... Bem, é que você se tornou alguém muito especial para nós, e não queremos vê-la ferida. Essa batalha...
  — É a batalha pelo qual eu tenho esperado, querida. Durante todas as minhas lembranças. Desde a época em que eu era uma menininha e a pensão fora construída... Era só uma casa, na época, e eu era bem feliz. Quando jovem, eu era muito feliz. E agora eu vivi o bastante para ser uma velha... Bem, tirando vocês, jovens, eu ainda tenho amigos como a Sophia Alpert e a Orime Saitou. Elas são mulheres que curam os outros, e são muito boas nisto. Ainda falamos nos diferentes usos de minhas ervas.
  Matt estalou os dedos.
  — Esse foi outro motivo de eu ter ficado confuso — Ele disse.
  — Porque a Dr.ª Alpert disse que você e a Sra. Saitou eram gente boa. Eu pensei que ela se referia à velha Sra. Saitou...
  — Que nem é uma “Sra. Saitou” — A Sra. Flowers disse, quase bruscamente. — Eu não tenho ideia de qual seja seu nome verdadeiro... Talvez seja mesmo Inari, a divindade que ficou maligna. Dez anos atrás, eu não sabia o que havia feito Orime Saitou ficar tão diferente e quieta de repente. Agora eu percebo que começou no tempo que em sua “mãe” mudou-se para lá. Eu gostava muito da jovem Isobel, mas de repente ela se tornou... Reservada... Não sendo o jeito de uma criança de ser. Agora eu entendo. E estou determinada a lutar por ela… E por vocês… E por uma cidade que vale a pena ser salva. Vidas humanas são muito, muito preciosas. E agora... Aqui estamos.
  Matt acabara de virar no quarteirão das Saitou. Meredith levou um momento para olhar atentamente para a figura no banco do passageiro.
  — Sra. Flowers! — Ela exclamou.
  Isso fez com que Matt se virasse para olhar, e o que ele viu fez com que ele estacionasse o Volkswagen Jetta na calçada.
  — Sra... Flowers?
  — Por favor, estacione, Matt. Vocês não precisam me chamar de Sra. Flowers se não quiserem. Eu voltei ao tempo quando eu era Theophilia... Quando meus amigos me chamavam de Theo.
  — Mas... Como... Por quê…? — Matt gaguejou.
  — Eu te disse. Eu senti que era hora. Sage me deixou um presente que me ajudou a mudar. Um inimigo além dos seus poderes para lutar surgiu. Eu senti isso lá na pensão. Este é o momento pelo qual eu estava esperando. A última batalha com verdadeiro inimigo de Fell’s Church.
  O coração de Meredith parecia mesmo que estava prestes a voar para fora de seu peito. Ela tinha que se acalmar... Se acalmar e pensar logicamente. Ela havia visto magia muitas vezes. Ela sabia como ela se parecia, como senti-la. Mas frequentemente ela estava ocupada demais confortando Bonnie, ou preocupada demais ajudando Bonnie para poder ter ideia do que estava enfrentando.
  Agora eram só ela e Matt... E Matt tinha um olhar abatido e estupefato, como se ele não tivesse visto magia o suficiente antes... Como se ele estivesse a ponto de quebrar.
  — Matt — Ela disse bem alto, e então ainda mais alto: — Matt!
  Ele se virou, por fim, para olhar para ela, com seus olhos azuis selvagens e obscuros.
  — Eles vão matá-la, Meredith! — Ele disse. — Shinichi e Misao... Você não sabe como é...
  — Qual é — Meredith disse. — Nós temos que nos certificar que isto não a mate.
  O olhar atordoado passou pelos olhos de Matt.
  — Nós temos que fazer isso — Ele simplesmente concordou.
  — Certo — Disse Meredith, finalmente soltando-o.
  Juntos, eles saíram do carro para encarar a Sra. Flowers... Não, para encarar Theo.
  Theo tinha cabelos que pediam até quase a cintura, do modo que era junto eles parecem de prata sob a luz do luar. Seu rosto estava... Eletrizante. Ele era jovem; jovem e orgulhoso, com as características clássicas e um olhar tranquilo de determinação.
  De alguma forma, durante a viagem, suas roupas haviam mudado também. Ao invés do sobretudo coberto com pedaços de papel, ela estava usando um vestido branco sem mangas, que terminavam com um leve babado. Pelo estilo, Meredith lembrou-se do vestido de sereia que ela mesma havia usado para ir a um baile, na Dimensão das Trevas.
  Mas o vestido de Meredith só fora feito para ela parecer sensual. Theo parecia... Magnífica. Quanto aos Post-It… De alguma forma o papel havia desaparecido e a escrita havia crescido enormemente, transformando-se em rabiscos muito grandes que ficavam em volta do vestido branco. Theo estava deliberadamente envolta de uma secreta alta costura de proteção.
  E embora ela estivesse esbelta, ela estava mais alta. Mais alta que Meredith, mais alta que Matt, até mesmo mais alta que Stefan, onde quer que ele esteja na Dimensão das Trevas. Ela estava alta, não porque ela havia crescido demais, mas porque o babado em seu vestido estava apenas relando no chão. Ela havia vencido inteiramente a gravidade. O chicote, presente de Sage para ela, estava enrolado em um círculo em volta de sua cintura, brilhando como prata, assim como o cabelo dela.
  Matt e Meredith simultaneamente fecharam as portas do SUV. Matt deixou o motor ligado para uma fuga rápida.
  Eles andaram ao redor da garagem assim eles poderiam ver a frente da casa. Meredith, que não se importou em como ela estava, ou se parecia estar bem ou sob controle, limpou as mãos, uma após a outra, em seus próprios jeans. Esta seria a primeira — e possivelmente a única — verdadeira batalha da estaca. O que contava não era a aparência, mas sim o desempenho.
  Tanto ela quanto Matt pararam quando viram uma figura parada aos fundos da varanda. Não era alguém que eles pudessem identificar como moradora da casa. Mas, em seguida, lábios vermelhos se abriram, as mãos delicadas ergueram-se até que os cobrissem por completo e um sinal sonoro e selvagem veio de algum lugar detrás das mãos.
  Por um instante eles só puderam ficar encarando, fascinados com esta mulher que estava vestida toda de preto. Ela estava tão alto quanto Theo, tão esbelta e graciosa, e ela estava igualmente longe do chão. Mas o que Meredith e Matt estavam encarando era o fato de que o cabelo dela era igual ao de Misao e ao de Shinichi — só que ao contrário. Enquanto eles tinham cabelo preto com pontas vermelhas, esta mulher tinha cabelo vermelho... Muito, muito grande, com pontas pretas no fim. Não era só isso, mas ela tinha delicadas orelhas negras de raposa emergindo de seu cabelo, e uma longa e elegante cauda vermelha, com pontas negras.
  — Obaasan? — Matt exclamou incrédulo.
  — Inari! — Meredith vociferou.
  A adorável criatura nem ao menos olhou para eles. Ela estava olhando para Theo, com desprezo.
  — Uma bruxinha em uma cidade pequena — Ela disse. — Você quase usou todo o seu Poder só para ficar ao meu nível. O quão boa você é?
  — Eu tenho muitos poucos Poderes — Theo concordou. — Mas se a cidade não vale nada, por que demorar tanto para destruí-la? Por que você assistiu ao outros tentarem... Ou onde estão todos os seus peões, Inari? Katherine, Klaus, o pobre e jovem Tyler... Eles eram seus peões, Deusa Kitsune?
  Inari riu — um riso de menininha vinha por detrás de seus dedos.
  — Eu não preciso de peões! Shinichi e Misao eram meus servos, como todos os kitsune são! Se eu os dei um pouco de liberdade, é para que eles ganhassem experiência. Nós iremos para cidades maiores agora, e as devastaremos.
  — Você terá que destruir Fell’s Church primeiro — Theo disse firmemente. — E eu não deixarei você fazer isso.
  — Você não entende, não é? Você é uma humana, com quase sem nenhum Poder! O meu vem da maior Esfera Estelar dos mundos! Eu sou uma Deusa!
  Theo abaixou a cabeça e, em seguida, levantou-a para olhar Inari nos olhos.
  — Você quer saber o que eu penso que seja verdade, Inari? — Ela disse. — Eu acho que você chegou ao fim de uma longa, longa vida, mas não é imortal. Eu acho que você diminuiu de forma e, por fim, precisou usar uma grande quantidade de Poder da sua Esfera Estelar... Onde quer que ela esteja... Para aparecer desta forma. Você é uma mulher muito, muito antiga e você tem enviado crianças a lutarem contra seus próprios pais, e estes contra suas crianças, em todo o mundo, porque você inveja a juventude das crianças. Você até mesmo inveja Shinichi e Misao, e os deixou serem feridos como um ato de vingança.
  Matt e Meredith olharam para ambas com olhos arregalados. Inari estava respirando rapidamente, mas parecia que ela não podia pensar em nada para dizer.
  — Você ainda fingiu ter entrado em uma “segunda infância” para se comportar femininamente. Mas nada disto a satisfaz, porque a verdade nua e crua é que você chegou ao fim de sua longa, longa vida... Não importa o quão grande seja o seu Poder. Todos nós devemos ter um fim da jornada, e é a sua vez agora.
  — Mentirosa! — Gritou Inari, pareceu por um momento mais gloriosa, mais radiante do que antes.
  E então Meredith viu por que. Seu cabelo escarlate, na verdade, começou a arde, emoldurando seu rosto em uma luz vermelha dançante. E finalmente, ela falou venenosamente:
  — Bem, então, se você acha que esta é minha última batalha, eu devo me assegurar em causar toda a dor que eu puder. Começando com você, bruxa.
  Tanto Meredith quanto Matt arfaram. Eles temiam por Theo, especialmente quando o cabelo de Inari começou a entrelaçar-se em cordas grossas, como se fossem serpentes flutuantes em torno de sua cabeça, como se ela fosse a Medusa.
  As arfadas foram um erro... Elas chamaram a atenção de Inari. Mas ela não se moveu. Ela somente disse:
  — Sentem este cheiro doce ao vento? Um sacrifício assado! Eu acho que o resultado será oishii... Delicioso! Mas talvez vocês dois queiram falar com Orime ou Isobel uma última vez. Temo que elas não possam sair para vê-los.
  O coração de Meredith estava batendo violentamente em sua garganta, enquanto ela percebia que a casa das Saitou estava em chamas. Parecia que várias pequenas chamas queimavam, mas ela temia pela insinuação de Inari de que ela já houvesse feito algo para a mãe e filha.
  — Não, Matt! — Ela gritou, pegando o braço de Matt.
  Ele teria corrido direto para a mulher risonha vestida de preto e tentado atacar seus pés — e os segundos tinham um valor inestimável agora.
  — Venha me ajudar a encontrá-las!
  Theo veio em seu auxílio. Girando o chicote branco, ela o lançou uma vez em direção à cabeça da mulher e precisamente atingiu uma das mãos de Inari, deixando um corte sangrento nela. Enquanto Inari se enfurecia e vira-se para ela, Meredith e Matt correram.
  — A porta dos fundos — Matt disse enquanto eles corriam em volta da casa.
  Mais a frente, eles viram uma cerca de madeira, mas nenhum portão. Meredith estava pensando em usar a estaca como se estivesse em uma competição de salto com vara, quando Matt ofegou “Aqui! “, fazendo um suporte com sua mão para ajudá-la a entrar.
  — Eu vou te dar impulso!
  Meredith hesitou só por um minuto. Então, quando ele parou de falar, ela colocou seus pés nos dedos entrelaçados dele. De repente, ela estava voando. Ela aproveitou o máximo que pôde, pousando, ao estilo felino, no topo plano da cerca e então descendo para o outro lado. Ela pôde ouvir Matt lutando para subir na cerca, quando ela repentinamente ficou rodeada por uma fumaça preta. Ela saltou alguns centímetros para trás e gritou:
  — Matt, a fumaça é perigosa! Abaixe-se; segure sua respiração. Fique aqui fora para ajudá-la quando eu voltar.
  Meredith não tinha ideia se Matt a ouviu ou não, mas ela obedeceu às suas próprias ordens, agachando-se e prendendo a respiração, abrindo os olhos rapidamente para tentar encontrar a porta.
  Então sua alma quase saiu de seu corpo ao som de um machado batendo na madeira, fazendo com que a madeira se estilhaçasse, e então o machado entrou em ação novamente. Ela abriu os olhos e viu que Matt não a tinha escutado, mas ela estava feliz porque ele havia encontrado a porta. Seu rosto estava preto de fuligem.
  — Está trancada — Ele explicou, erguendo o machado.
  Qualquer tipo de otimismo de Meredith se estilhaçou igual a porta quanto ela viu lá dentro chamas e mais chamas.
  Meu Deus, ela pensou, alguém lá deve estar assando, estando, provavelmente, já morto.
  Mas de onde é que veio esse pensamento? De seu conhecimento, ou de seu medo? Meredith não podia simplesmente parar agora. Ela deu um passo em direção ao calor escaldante e gritou:
  — Isobel! Sra. Saitou! Onde estão vocês?
  Houve um grito fraco e asfixiado.
  — Devem estar na cozinha — Ela disse. — Matt, é a Sra. Saitou! Por favor, vá ajudá-la!
  Matt obedeceu, mas disse por cima dos ombros:
  — Não entre muito fundo.
  Meredith tinha que entrar. Ela se lembrou onde é que o quarto de Isobel era. Bem embaixo do da “avó”.
  — Isobel! Isobel! Você pode me ouvir? — Sua voz estava tão baixa e rouca por causa da fumaça que ela sabia que tinha que continuar.
  Isobel devia estar inconsciente ou rouca demais para poder responder. Meredith caiu de joelhos, se arrastando no chão onde o ar era bem mais limpo e mais arejado.
  Ok. Quarto da Isobel. Ela não quis tocar na maçaneta da porta com sua mão, então ela enrolou sua camiseta em torno dela. A maçaneta não girou. Trancada. Ela não se incomodou em investigar, ela simplesmente virou-se e chutou a porta, bem ao lado da maçaneta, como se fosse uma mula. Um pouco de madeira lascou. Outro chute e a porta se abriu com um grande estrondo.
  Meredith estava se sentindo tonta, mas ela precisava ver o quarto inteiro. Ela deu dois passos para frente e... Lá estava!
  Sentava na cama da sala enfumaçada e quente, mas, em outro caso, escrupulosamente arrumada, estava Isobel. Enquanto Meredith se aproximava da cama, ela viu — o que a deixou furiosa — que a garota estava amarrada na cabeceira da cama de bronze com fita adesiva. Dois cortes com a estaca a libertaram. Então, surpreendente, Isobel se moveu, levantando o rosto enegrecido para o de Meredith.
  Foi quando a fúria de Meredith chegou ao auge. A menina tinha fita adesiva em sua boca, o que a impedia de fazer qualquer pedido de socorro. Estremecendo e mostrando que ela sabia que seria doloroso, Meredith agarrou a fita adesiva e a arrancou de uma vez. Isobel não gritou; ao invés disso, ela respirou profundamente várias vezes o ar enfumaçado.
  Meredith tropeçou em direção ao armário, pegou duas camisas brancas de aparência idêntica e voltou até Isobel. Havia um copo cheio de água ao lado dela, na mesa de cabeceira. Meredith se perguntou se aquilo fora colocado deliberadamente para aumentar a agonia de Isobel, mas não hesitou em usá-lo. Ela fez com que Isobel bebesse um breve gole, dando outro gole ela mesma, e então encharcou cada camiseta. Ela segurou uma em sua própria boca e Isobel a imitou, segurando a camisa molhada por cima de seu nariz e boca. Então Meredith a segurou e a guiou de volta até a porta.
  Depois disso, a jornada de volta simplesmente se tornou um pesadelo, pois ela tinha que se ajoelhar, rastejar e tentar não se asfixiar, puxando Isobel junto com ela o tempo todo. Meredith pensou que nunca iria acabar, pois cada centímetro para frente tornou-se cada vez mais difícil. A estaca tinha um peso insuportável para se carregar junto dela, mas ela se recusou a abandoná-la.
  Ela é preciosa, sua mente disse, mas vale mais que sua vida?
  Não, Meredith disse. Não vale mais que minha vida, mas quem sabe o que mais estará lá fora se eu conseguir tirar Isobel desta escuridão?
  Você nunca a salvará se morrer, só por causa de... Um objeto.
  Não é um objeto!
  Dolorosamente, Meredith usou a estaca para tirar alguns destroços fumegantes de seu caminho.
  Ela pertenceu ao meu avô na época em que ele estava são. Ela se encaixa em minha mão. Não é só um objeto!
  Faça do seu jeito, a voz disse, e desapareceu.
  Meredith estava começando a corer sobre mais destroços agora. Apesar da cólica em seus pulmões, ela tinha certeza que poderia conseguir chegar até a porta dos fundos. Ela sabia que deveria haver uma lavanderia à sua direita. Elas deviam ser capazes de respirar ar fresco lá.
  E, de repente, no escuro, algo bateu com tudo contra sua cabeça. Isso fez com que sua visão escurecesse por um longo tempo antes que ela pudesse dar um nome à coisa que a havia machucado: uma poltrona.
  De alguma forma, elas haviam se arrastado demais. Ali era a sala de estar.
  Meredith se inundou de medo. Elas tinham ido longe demais e não podiam sair pela porta da frente por causa da batalha mágica. Elas teriam que voltar, e desta vez se certificarem em encontrar a lavanderia, a porta para a liberdade.
  Meredith se virou, puxando Isobel com ela, esperando que a menina mais jovem entendesse o que elas tinham que fazer.
  Ela deixou a estaca no chão da sala de estar em chamas.

  Elena soluçou para recuperar o fôlego, mesmo quando ela permitia que Stefan a ajudasse agora. Ele correu, segurando Bonnie por um lado, e Elena pelo outro. Damon estava em algum lugar lá na frente... Vigiando.
  Não deve estar longe agora, ela continuou pensando. Bonnie e eu vimos um brilho... Nós duas vimos.
  E então, como uma lanterna colocada contra uma janela, Elena viu novamente.
  Ela é grande, este é o problema. Eu fico pensando se conseguiremos alcançá-la, pois tenho a ideia errada de qual seja o seu verdadeiro tamanho. Quanto mais perto chegamos, maior fica.
  E isso é bom para nós. Precisaremos de muito Poder. Mas precisamos chegar lá logo, ou todo o Poder do universo não será de grande ajuda. Seria tarde demais.
  Shinichi havia indicado de que eles poderiam estar atrasados... Mas Shinichi nasceu como um mentiroso. Ainda assim, um pouco além deste estaria...
  Oh, meu bom Deus, ela pensou. É uma Esfera Estelar.

3 comentários:

  1. Olá, gostei muito do seu site e estou acompanhando a Leitura Semanal e senti falta dos capítulos 37 e 38 que deveria ter saído dia 17.será postado? estou esperando ansiosamente.Valeu!!!

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  2. Adorei o site estou acompanhando a Leitura Semanal e gostaria muito dos próximos capítulos.

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  3. estou anciosa para saber o que vai acontecer nos proximos capitulos

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