Leitura Semanal - Diários do Vampiro, o retorno: Meia-Noite #19

Sinopse: Elena retorna da Dimensão das Trevas, tendo liberto seu namorado vampiro Stefan Salvatore do aprisionamento... Mas não sem uma consequência. Sua salvação custará bastante. Ainda se recuperando do último choque, eles são forçados a encarar os demônios que dominaram Fell's Church. Elena deve tomar uma decisão que custará seu amor: Damon ou Stefan?
Obs.: Caso for copiar, favor creditar o site.
Capítulo
35
Elena se sentiu como
se não tivesse feito nada em toda sua vida, exceto andar sob a sombra de uma
árvore com ramos altos. Não estava frio lá, mas sim quente. Não estava escuro,
mas sim opaco. Ao invés da luz carmesim constante do Sol vermelho inchado na
Dimensão das Trevas, eles andavam sob um crepúsculo constante. Era enervante
sempre olhar para cima, para o céu, e nunca ver a lua... Ou luas... Ou o
planeta... Que poderia muito bem estar lá em cima. Ao invés de céu, não havia
nada a não ser galhos de árvores emaranhados, claramente pesados e
intrinsecamente entrelaçados como que para ocupar o espaço todo acima.
Ela estava ficando louca, ao pensar que eles talvez pudessem estar na
lua, na pequena lua brilhante de diamante, que você poderia ver do lado de fora
do Portal do Mundo Inferior? Ela era muito pequena para ter uma atmosfera?
Pequena demais para ter uma gravidade adequada? Ela havia percebido que ela se
sentia mais leve aqui, e que Bonnie parecia mais alta. Será que ela poderia...?
Ela flexionou suas pernas, soltou a mão de Stefan, e pulou.
Foi um salto longo, mas não a levou a qualquer lugar próximo à copa de
galhos entrelaçados acima. E ela também não pousou devidamente com os seus pés.
Ela escorreu em direção às folhas e deslizou de bumbum por, talvez,
noventa centímetros antes que pudesse cravar seus dedos e pés e, por fim,
parar.
— Elena! Você está bem?
Ela pôde ouvir Stefan e Bonnie dizerem isso por detrás dela, seguido de
um rápido e impaciente: “Você é louca?“
de Damon.
— Eu estava tentando descobrir onde nós estamos testando a gravidade —
Ela disse, erguendo-se sozinha e tirando as folhas de seus jeans, humilhada.
Mas que droga! Aquelas folhas haviam ficado presas nas costas de sua
camiseta, entrando até mesmo em sua camisola. O grupo havia deixado a maioria
de suas peles lá na Casa de Portais, onde Sage poderia guardá-las, e Elena nem
sequer tinha uma roupa reserva.
Isso foi idiotice, ela disse a
si mesmo, realmente brava agora.
Envergonhada, ela tentou andar e se sacudir ao mesmo tempo, para tentar
tirar as folhas trituradas de seu corpo. Finalmente ela teve que dizer:
— Garotas, vocês poderiam olhar para o outro lado? Bonnie, você poderia
vir aqui me ajudar?
Bonnie ficou feliz em ajudar e Elena ficou espantada com o tanto de
tempo que levou para tirarem todas as folhas de suas costas.
Na próxima vez que você quiser uma
opinião científica, tente perguntar, a telepatia desdenhosa de Damon
comentou.
Em voz alta, ele adicionou:
— Eu diria que a gravidade é cerca de oitenta por cento igual à da Terra
e devemos estar na lua. Não que isso signifique alguma coisa. Se Sage não nos
tivesse ajudado com essa bússola, nunca seríamos capazes de encontrar o tronco
da árvore... Pelo menos, não a tempo.
— E lembrem-se — Elena disse — que a ideia de que a Esfera Estelar está
próxima ao tronco é só um palpite. Temos que manter nossos olhos bem abertos!
—Mas o que devemos procurar?
Bonnie gemeu uma vez. Mas agora ela simplesmente perguntou
silenciosamente.
— Bem... — Elena virou-se para Stefan — Ela vai brilhar, não vai? Contra
esta horrível penumbra?
— Contra esta horrível penumbra de camuflagem verde — Stefan concordou.
— Ela deve ser semelhante a uma luz pouco brilhante em deslocamento.
— Mas pensem assim — Damon disse, andando de volta para trás e
dando-lhes por um segundo o seu gracioso e brilhante sorriso de duzentos e cinquenta
quilowatts —, se não seguirmos a sugestão de Sage, nós nunca encontraremos o
tronco. Se tentarmos vagar aleatoriamente ao redor deste mundo, nunca
encontraremos nada... Nem o nosso
caminho de volta. E então, não será só Fell’s Church que deixará de existir,
nós todos morreremos, nesta ordem: primeiro, os dois vampiros deixaram de lado
o seu comportamento civilizado, por causa da fome...
— Não o Stefan — Gritou Elena.
E Bonnie disse:
— Você é tão mau quanto o Shinichi, com essas suas “revelações” sobre
nós!
Damon sorriu sutilmente.
— Se eu fosse tão mau quanto o Shinichi, passarinho, você já estaria
sendo amassada como uma caixa de suco vazia... Ou eu estaria lá, sentado ao
lado de Sage, saboreando Black Magic...
— Olha, isso é inútil — Stefan disse.
Damon fingiu simpatia.
— Talvez você possa ter... Problemas… Com sua área canina, mas eu não
tenho, maninho.
Ele deliberadamente ostentou o sorriso, desta vez para que todos
pudessem ver os dentes afiados.
Stefan não mordeu a isca.
— E isso está nos atrasando...
— Errado, maninho. Alguns de nós dominamos a arte de falar e andar ao
mesmo tempo.
— Damon... Pare com isso. Pare!
— Elena disse, esfregando sua testa quente com seus dedos frios.
Damon deu de ombros, ainda movendo-se para trás.
— Você só tinha que pedir — Ele disse, com uma leve ênfase na primeira
palavra.
Elena não disse nada de volta. Ela se sentia febril.
Não era um caminho em linha reta. Frequentemente havia enormes montes de
raízes retorcidas no caminho, que deviam ser escalados. Às vezes, Stefan tinha
que usar o machado em sua mochila para fazer pontos de apoio.
Elena começou a odiar a penumbra verde mais do que tudo. Ela pregava
peças em seus olhos, assim como o som abafado de seus pés no chão coberto de
folhas pregava peças em seus ouvidos. Várias vezes ela parou... E uma vez
Stefan disse:
— Tem mais alguém aqui! Está no seguindo!
Em todas as vezes eles todos tiveram de parar para ouvir atentamente.
Stefan e Damon enviaram sondas telepáticas de Poder o mais longe que puderam
chegar, em busca de outra mente. Mas ou ela estava bem disfarçada, a ponto de
ser invisível, ou ela nem ao menos existia.
E então, depois de Elena se sentir como se tivesse andado durante sua
vida toda, e que teria que andar até que eternidade chegasse ao fim, Damon
parou abruptamente. Bonnie, bem atrás dele, prendeu a respiração. Elena e
Stefan correram para frente para verem o que era.
O que Elena viu fê-la dizer, sem firmeza:
— Eu acho que perdemos o tronco e... Encontramos... A beirada do
mundo...
No chão em frente dela, e até onde ela podia ver, havia uma escuridão
repleta de estrelas do espaço. Mas tirando as estrelas, havia um planeta
gigante e duas luas enormes, uma azul e branca que rodava e a outra prateada.
Stefan estava segurando sua mão, compartilhando seus pensamentos com
ela, e um formigamento correu sobre o braço dela e de repente seus joelhos
ficaram fracos, só pelo leve toque dos dedos dele.
Então Damon disse sarcasticamente:
— Olhem para cima.
Elena olhou e arfou. Por um instante seu corpo pareceu complemente mais
leve. Ela e Stefan automaticamente enrolaram seus braços em torno de si. E
então Elena percebeu o que eles estavam vendo, tanto em cima como embaixo.
— É água — Ela disse, encarando a piscina espalhada bem acima deles.
— Uma das águas que o Sage nos disse. E não toquem nisto. Nem assoprem.
— Mas parece mesmo que estamos naquela lua menor — Stefan disse
suavemente, seus olhos aparentavam inocência enquanto ele olhava para Damon.
— Sim, bem, então há algo excessivamente
mais pesado no centro desta pequena lua, para permitir que haja oito décimos da
gravidade que experimentamos normalmente, e para haver atmosfera... Mas quem se
importa com a lógica? Este é um mundo que alcançamos através do Mundo Inferior.
Por que aplicaríamos lógica?
Ele olhou para Elena com seus olhos um pouco semicerrados.
— Onde está a terceira? A séria?
A voz veio detrás deles... Ele pensou.
Ela estava... Eles todos estavam... Virando-se para olhar a brilhante
luz no meio daquela penumbra. Tudo brilhava e dançava diante de seus olhos.
“A séria Meredith; a Bonnie risonha;
E Elena com cabelos dourados.
Elas sussurram e então ficam em silêncio...
Elas aprontam e eu não dou mais a mínima...
Mas eu devo conquistar Elena,
Elena com os Cabelos Dourados...”
— Bem, você não vai me conquistar! — Gritou Elena. — E esta citação está
completamente incorreta, de qualquer forma. Eu me lembro dela na minha aula de
inglês do primeiro ano. E você é maluco!
Mesmo com sua raiva e medo, ela se perguntou sobre Fell’s Church. Se
Shinichi estava ali, ele poderia
trazer a Última Meia-Noite para lá? Ou
Misao poderia simplesmente trazê-la?
— Mas eu vou te conquistar,
Elena dourada — O kitsune disse.
Tanto Stefan quanto Damon tiraram suas facas.
— É aí que você se engana, Shinichi — Stefan disse. — Você nunca, nunca
mais tocará na Elena novamente.
— Eu tenho que tentar. Vocês tiraram todo o resto de mim.
O coração de Elena estava batendo fortemente agora.
Se ele for falar algo que tenha sentido para alguém, será comigo, ela
pensou.
— Você não devia estar se preparando para a Última Meia-Noite, Shinichi?
— Ela perguntou num tom amigável, temendo, em seu interior, que ele dissesse:
“Já terminou.”
— Ela não precisa de mim. Ela não protegeria Misao. Por que eu
deveria ajudar ela?
Por um instante Elena não pôde falar. Ela? Ela? Outra além de Misao, outra “Ela” estava envolvida nisto?
Damon segurava uma besta* agora, com uma
flecha carregada. Mas Shinichi simplesmente se esquivou.
* Para quem
não sabe, isto é uma besta:
http://cache02.stormap.sapo.pt/fotostore02/fotos//90/0a/86/33982_0003hzkc.jpg
— Misao não consegue
mais se mover. Ela havia colocado todo seu Poder dentro da Esfera Estelar,
entendem? Ela nunca mais riu ou cantou... Nunca mais aprontou comigo. Ela
simplesmente... Ficou parada — Ele disse. — Finalmente, ela me pediu para
colocá-la dentro de mim. Ela pensou que nos tornaríamos um só deste jeito.
Então ela se dissolveu e incorporou-se direto em mim. Mas isso não ajudou.
Agora... Eu mal posso ouvi-la. Eu vim para buscar minha Esfera Estelar. Eu a
tenho usado para viajar através das dimensões. Se eu colocar Misao na minha
Esfera Estelar, ela vai se recuperar. Então e a esconderei novamente... Mas não
onde eu a deixei da última vez. Eu a colocarei num lugar bem mais alto, onde ninguém mais poderá encontrá-la.
Ele parecia estar focado em seus ouvintes.
— Então eu acho que somos Misao e eu que estão falando com vocês neste
instante. Exceto que eu estou muito solitário... Eu não posso mais senti-la.
— Você não vai tocar na Elena — Stefan disse silenciosamente.
Damon estava olhando sombriamente para o resto do grupo, para as
palavras de Shinichi: “... Eu a colocarei num lugar bem mais alto...”
— Vai, Bonnie, continue andando — Stefan adicionou. — Você também,
Elena. Nós as seguiremos.
Elena deixou Bonnie ir alguns centímetros à frente antes de dizer
telepaticamente:
Não podemos nos separar, Stefan;
só há uma bússola.
Cuidado, Elena! Ele pode te ouvir!
Veio a voz de Stefan, e Damon adicionou sem
rodeios:
Calem a boca!
— Não se incomode em mandá-la calar a boca —
Shinichi disse. — Você é louco se pensa que eu só consigo pegar os pensamentos
que vocês estão pensando agora. Eu não pensei que você fosse tão burro.
— Não somos burros — Bonnie disse acaloradamente.
— Não? Então vocês descobriram os enigmas que eu fiz para vocês?
— Não é hora para isso — Elena rebateu.
Isso foi um erro, pois fez com que Shinichi se focasse nela novamente.
— Você contou a eles o que você pensa sobre a tragédia de Camelot,
Elena? Não, eu não pensei que você teria coragem. Eu direi, então, posso? Eu li
enquanto você escrevi em seu diário.
— Não, você não pode ter lido
meu diário! De qualquer forma... Não se
aplica mais aqui! — Elena ostentou.
— Deixe-me ver… Essas são as suas próprias palavras...
Ele assumiu uma voz de leitura.
“Querido diário,
Um dos enigmas de Shinichi era o que eu
pensei ser sobre Camelot. Você sabe, a lenda do Rei Arthur, a Rainha Guinevere e
o cavaleiro que ela amava, Lancelot. E aqui vai o que eu pensei: muitas pessoas
inocentes morreram e ficaram miseráveis porquê três pessoas egoístas — um rei,
uma rainha e um cavaleiro — não se comportavam civilizadamente. Eles não conseguiam
compreender que quanto mais você ama, mais amor você encontra. Mas esses três
não poderiam desistir do amor, e simplesmente o compartilharam... Os três...
— Cala a boca! — Berrou Elena. — Cala a boca!
Meu Deus, Damon disse, minha vida é isso aí.
A minha também. Stefan parecia
tonto.
Só esqueçam isso tudo, Elena
disse a eles. Não é mais verdade. Stefan,
eu sou sua para sempre, e eu sempre fui. E agora temos que nos livrar deste
idiota e correr para o tronco.
— Misao e eu costumávamos fazer isso — Shinichi disse. — Falar com nós
mesmos, em uma frequência especial. Você certamente é uma boa manipuladora,
Elena, ao evitar que eles se matem por sua causa.
— Sim, é uma frequência especial que eu chamo de verdade — Elena disse.
— Mas eu não sou metade da manipuladora que Damon é. Agora, nos ataque ou
deixe-nos ir embora. Estamos com pressa!
— Atacar vocês?
Shinichi parecia estar pensando na ideia. E então, mais rápido do que
Elena pôde acompanhar, ele foi em direção à Bonnie. Os vampiros, que estavam
esperando que ele fosse até Elena, foram pegos de guarda baixa, mas Elena, que
havia visto o brilho dos olhos dele em direção à garota mais fraca, já estava pulado
em direção a ele. Ele voltou tão rápido que ela encontrou-se indo direto para
as suas pernas, mas então ela percebeu que ela tinha uma chance de tirar-lhe o
equilíbrio. Ela deliberadamente foi com o objetivo de dar uma cabeçada em seu
joelho, ao mesmo tempo em que daria uma facada no pé dele.
Perdão, Bonnie, ela enviou,
sabendo o que ele faria. Seria o mesmo que havia feito o seu fantoche, Damon,
na época em que ele havia feito Elena e Matt de reféns... Exceto que ele não
precisava de um galho de pinheiro para fazer dor. Uma energia negra surgiu em
suas mãos, indo diretamente para o corpinho de Bonnie.
Mas havia outro fator que ele não havia levado em conta. Quando ele fez
Damon atacar Matt e Elena, ele teve o bom senso de ficar longe enquanto Damon
direcionava agonia para os corpos deles. Desta vez, ele agarrou o corpo de
Bonnie e colocou suas mãos em volta dela. E Bonnie era uma telepata excelente,
principalmente nas projeções. Quando a primeira onda de agonia a atingiu, ela
gritou... E redirecionou a dor para Shinichi.
Era como se houvesse completado um circuito. Não fez com que Bonnie se
machucasse menos, mas significava que tudo que Shinichi fizesse a ela, ele
sentiria em seu próprio corpo, amplificado por causa do medo de Bonnie. Foi
neste sistema que Elena entrou com tudo. Quando sua cabeça deu de impacto com o
joelho dele, o osso desta região estava bem frágil, e algo lá dentro quebrou.
Atordoada, ela concentrou-se em mirar a faca em direção aos pés no solo abaixo.
Não teria funcionado se ela não tivesse dois vampiros extremamente ágeis
bem atrás dela. Já que Shinichi não havia caído, ela teria de levantar e ficar
ao nível de seu pescoço para poder esfaqueá-lo ali.
Mas Stefan estava a uma fração de segundos atrás dela. Ele a agarrou e
estavam fora do alcance de Shinichi antes que o kitsune pudesse avaliar melhor
a situação.
— Me solta — Elena arfou para Stefan.
Ela estava determinada a salvar Bonnie.
— Eu deixei cair minha faca — Ela acrescentou astuciosamente,
encontrando um motivo mais concreto para forçar Stefan a soltá-la para que
pudesse voltar à briga.
— Onde?
— Próximo aos pés dele, é claro.
Ela pôde sentir Stefan tentando segurar uma risada exagerada.
— Acho que aquele é um bom lugar para deixá-la. Pegue uma das minhas —
Ele adicionou.
Se vocês já terminaram de papear,
é melhor vocês virem aqui para acabarmos com ele, veio a fria telepatia de
Damon.
Neste momento Bonnie desmaiou, mas com seu próprio circuito telepático
ainda bem aberto e direcionado de volta para Shinichi. E agora Damon havia
ficado no modo ofensivo, como se ele não se importasse como o bem-estar de Bonnie,
contanto que ele a tirasse das garras de Shinichi.
Stefan, rápido como uma cobra, foi em direção a uma das muitas caudas
que balançavam atrás de Shinichi, anunciando seu tremendo Poder. A maioria
delas era translúcida, e elas cercavam sua verdadeira cauda — a cauda
vermelho-vivo que toda raposa tinha.
A faca de Stefan cortou uma e a cauda fantasma caiu ao chão e então
desapareceu. Não houve sangue, mas Shinichi ajoelhou-se cheio de fúria e dor.
Damon, por sua vez, foi impiedosamente atacar de frente. Como Stefan
havia distraído o kitsune por trás, Damon cortou ambos os pulsos do kitsune —
um de forma rápida, enquanto o outro como se quisesse arrancar-lhe o membro. Então
ele deu outro golpe, no momento em que Stefan, com Elena segurando-se em seu quadril
como se fosse um bebê, arrancava outra cauda fantasma.
Elena estava lutando. Ela estava seriamente preocupada que Damon pudesse
matar Bonnie para chegar até
Shinichi. Além disso, ela não seria
trata como uma peça de bagagem! A civilização havia sumido em torno dela
enquanto ela reagia ao seus instintos mais profundos: proteger Stefan, proteger
Bonnie, proteger Fell’s Church. Derrotar
o inimigo. Ela mal percebeu que, em seu estado, ela havia afundado seus dentes
fracos, mas ainda dentes humanos, no ombro de Stefan.
Ele estremeceu um pouco, mas ele a ouviu.
Bem, tente pegar a Bonnie,
então... Veja se você pode ajudá-la.
Ele a soltou justo quando Shinichi virou-se
para encará-lo, canalizando a dor negra diretamente para Stefan que, na Terra,
havia sido lançada sobre os pés de Matt e Elena.
Elena, após ser lançada, descobriu que todos estavam agindo em turnos,
como que para protegê-la e, de repente, ela viu uma oportunidade. Ela pegou a
forma mole de Bonnie e Shinichi deixou cair a menina menor nos braços dela.
Palavras estavam ecoando no cérebro de Elena. Tente pegar a Bonnie. Veja se você pode ajudá-la.
Bem, ela estava com a Bonnie agora. Seus
sentidos dividiram as ordens de Stefan.
... afaste-se de Shinchi. Ela é
uma refém de valor inestimável.
Elena descobriu que ela poderia quase gritar
de tão furiosa que estava agora. Ela tinha que manter Bonnie a salvo... Mas
isso significava abandonar Stefan, o nobre Stefan, à mercê de Shinichi. Ela
afastou Bonnie para longe — tão pequena e delicada — e ao mesmo tempo deu uma
olhada para trás, para Stefan. Ele estava com uma leve carranca de concentração
agora, mas ele não estava só sendo
esmagado pela dor; ele estava avançando ao ataque.
Mesmo quando a cabeça de Shinichi começou a ficar em chamas. As pontas
vermelhas e brilhantes de seu cabelo preto tinham explodido em chamas, como se
nada mais pudesse expressar sua inimizade e sua certeza de vencer.
Parecia que ele estava uma coroa de fogo, uma auréola infernal.
Nisto, a raiva de Elena transformou-se em arrepios que desceram sua
espinha enquanto ela assistia a algo que a maioria das pessoas nunca viveu para
analisar: dois vampiros atacando juntos, perfeitamente em sintonia. Havia a
selvageria elementar, como nas aves ou nos lobos, mas havia também a beleza
impressionante de duas criaturas que trabalhavam como um único e unificado
corpo.
Pelas expressões de Stefan e de Damon, podia-se perceber que aquela era
a batalha final. A carranca ocasional de Stefan e o sorriso cruel de Damon
significavam que Shinichi estava enviando seu Poder abrasador e obscuro para os
dois. Mas não eram humanos fracos com quem Shinichi estava lidando agora. Ambos
era vampiros com corpos que se curavam quase que instantaneamente — e vampiros
que haviam se alimentado recentemente... Dela,
Elena. Seu sangue extraordinário era como um combustível para eles.
Então eu já sou parte disto, Elena pensou. Eu os estou ajudando neste
instante.
Isto teria que satisfazer a selvageria que esta luta sem barreiras
provocava nela. Arruinar a perfeita sincronia que os dois vampiros tinham para
manipular Shinichi seria um crime, especialmente quando Bonnie ainda estava
mole em seus braços.
Sendo nós duas humanas, somos passivas, ela pensou. E Damon não
hesitaria em me dizer isso, mesmo quando tudo o que eu queria era entrar para
dar um só golpe.
Bonnie, acorda, Bonnie, ela
pensou. Segure-se em mim. Estamos dando o
fora daqui.
Ela pegou a garota menor sob as axilas e a
arrastou. Ela arrastou-se para a penumbra oliva que se estendia em todas as
direções. Quando ela tropeçou em uma raiz e, acidentalmente, se sentou, ela
decidiu que havia ido longe o bastante, manobrando Bonnie para o seu colo.
Então ela colocou suas mãos em torno do rostinho em formato de coração
de Bonnie e pensou nas coisas mais reconfortantes que pôde. Um mergulho em Warm
Springs. Uma banho quente na casa de Lady Ulma e, em seguida, uma massagem,
deitadas confortavelmente em um sofá com o cheiro de incenso floral subindo ao
seu redor. Um afago em Sabber na pensão da Sra. Flowers. A decadência de dormir
tarde e acordar em sua própria cama... Com sua própria mãe, pai e irmã em casa.
Assim que Elena pensou nisso, ela não pôde evitar ao dar um pequeno
suspiro, e uma lágrima caiu na testa de Bonnie. Os cílios de Bonnie se abriram.
— Não fique triste — Ela
sussurrou. — Elena?
— Eu tenho você, e ninguém vai machucá-la novamente. Você ainda não se
sente bem?
— Estou um pouquinho melhor. Mas eu pude te ouvir, na minha mente, e
isso fez com que eu me sentisse melhor. Eu quero longo banho e uma pizza. E
segurar a bebê Adara. Ela quase pode andar, você sabe. Elena… Você não está me
escutando!
Elena não estava. Ela estava assistindo ao desfecho da luta entre
Stefan, Damon e Shinichi. Os vampiros haviam feito o kitsune se ajoelhar e
agora estavam disputando sobre ele como se fossem um casal de filhotes de
passarinho ao longo de um verme particularmente saboroso. Ou, talvez, como um
casal de filhotes de dragão... Elena não tinha certeza se pássaros sibilavam um
para o outro.
— Oh, não... Eca!
Bonnie viu o que Elena estava assistindo e entrou em colapso, escondendo
sua cabeça contra o ombro de Elena.
Ok, Elena pensou. Eu entendo. Não há nenhum tipo de selvageria em você,
há, Bonnie? Malícia, sim, mas nada como a sede de sangue. E isso é bom.
Mesmo enquanto ela pensava nisso, Bonnie sentou, erguendo-se em linha
reta e batendo no queixo de Elena, apontando à distância.
— Espera! — Ela gritou. — Você está vendo isso?
Isso era uma luz muito brilhante, que queimava
cada vez mais à medida que cada vampiro encontrava um lugar a seu gosto para
atingir Shinichi, ao mesmo tempo.
— Fique aqui — Elena disse um pouco grossa, pois quando Bonnie havia
colidido com seu queixo, ela acidentalmente mordeu a língua.
Ela correu de volta para os dois vampiros e bateu em suas cabeças o mais
forte que pôde. Ela tinha que ganhar suas atenções antes que eles ficassem
completamente no modo de alimentação.
Como não era de se surpreender, Stefan voltou ao normal primeiro, e
então a ajudou a puxar Damon para longe de seu inimigo derrotado.
Damon rosnou e começou a andar, nunca tirando os olhos de Shinichi
enquanto o kitsune abatido lentamente se sentou. Elena percebeu gotas de sangue
espalhadas. Então ela viu, escondido no cinto de Damon, algo preto, vermelho e
lustroso: a cauda verdadeira de Shinichi.
A selvageria se foi... Rapidamente. Elena queria esconder a cabeça no
ombro de Stefan, mas virou o rosto para um beijo.
Stefan ficou constrangido.
Então Elena se afastou e eles formaram um triângulo em volta de
Shinichi.
— Nem pense em atacar — Damon disse agradavelmente.
Shinichi deu levemente de ombros.
— Atacar vocês? Por que me incomodaria? Vocês não terão nada para por
que voltar, mesmo se eu morrer. As crianças estão pré-programadas para matar.
Mas — Com uma veemência súbita —, eu queria que nunca tivéssemos ido à sua
maldita cidade... E eu queria que nunca tivéssemos seguido as ordens Dela. Eu queria nunca ter deixado Misao
se aproximar Dela! Eu queria que...
Ele parou de falar de repente.
Não, é mais do que isso, Elena pensou.
Ele congelou, com os olhos bem
abertos, encarando.
— Oh, não — Ele sussurrou. — Oh, não, eu não quis dizer isso! Eu não
quis! Eu não me arrependo...
Elena teve o pressentimento de algo estava vindo até eles numa
velocidade tremenda, tão rápida, na verdade, que ela só teve tempo de abrir sua
boca antes daquilo atingir Shinichi.
O que quer que fosse, o matou e foi embora sem tocar em mais ninguém.
Shinichi caiu de cara na sujeira.
— Não se incomode — Elena disse delicadamente, enquanto Stefan
reflexivamente moveu-se em direção ao cadáver. — Ele está morto. Ele fez isto a
si mesmo.
— Mas como? — Stefan e Damon exigiram em coro.
— Eu não sou uma expert — Elena disse. — Meredith é a expert nisto. Mas
ela me disse que kitsune só podem ser mortos ao destruirmos suas Esferas
Estelares, ou dando-lhes um tiro com uma bala abençoada... Ou pelo “Pecado do
Arrependimento”. Meredith e eu não sabíamos o que isso significava naquela
época... Isso foi antes de nós irmos à Dimensão das Trevas. Mas eu acho que
acabamos de vê-lo em ação.
— Então você não pode ser um kitsune e se arrepender de alguma coisa que
você tenha feito? Isso é... Desagradável — Stefan disse.
— Nem tanto — Damon disse secamente. — Mas se isso funcionasse com
vampiros, não há dúvidas de que você ficaria permanentemente morto quando
acordasse no jazido de nossa família.
— Antes — Stefan disse sem demonstrar expressão —, eu tinha me
arrependido de ter te dado o golpe mortal, enquanto eu estava morrendo. Você
sempre disse que eu me sinto muito culpado, mas isto é uma coisa que eu gostaria de poder mudar.
Houve um silêncio que se estendeu e se
estendeu. Damon estava na frente do grupo agora, e ninguém além de Bonnie podia
ver seu rosto.
De repente Elena pegou a mão de Stefan.
— Nós ainda temos uma chance! — Ela disse para ele.
— Bonnie e eu vimos algo brilhando por
ali! Vamos correr!
Ele e Elena ultrapassaram Damon correndo e ele pegou a mão de Bonnie
também.
— Igual o vento, Bonnie!
— Mas com Shinichi morto... Bem, temos mesmo que encontrar a Esfera
Estelar dele, ou a maior Esfera Estelar, ou sei-lá-o-quê que está escondida
neste lugar horrível? — Bonnie perguntou.
Certa vez, ela teria gemido, Elena pensou. Agora, apesar de qualquer dor
que ela sentisse, ela estava correndo.
— Receio que temos mesmo que encontrá-la — Stefan disse. — Porque,
segundo o que ele disse, Shinichi não estava no comando, no final das contas.
Ele e sua irmã estavam trabalhando para alguém, alguém do sexo feminino. E quem
quer que Ela seja, Ela deva estar atacando Fell’s Church
agora.
— As probabilidades apenas mudaram — Elena disse. — Nós temos uma
inimiga desconhecida.
— Mas ainda assim...
— A sorte — Elena disse — está lançada.
Capítulo
36
Matt quebrou muitas
regras de trânsito a caminho da rua das Saitou. Meredith se inclinou sobre o
console entre os dois banco da frenrte para que ela pudesse ver o relógio
digital que marcava meia-noite, e para que ela pudesse assistir a transformação
da Sra. Flowers. Finalmente, sua mente recentemente sã e sensível forçou
palavras para sua boca.
— Sra. Flowers... Você está mudando.
— Sim, Meredith, amada. Um pouco disto deve-se ao presentinho que Sage
deixou para mim. Outro pouquinho é da minha própria vontade... Para voltar aos
dias em que estava na flor da idade. Eu acredito que esta será minha última
batalha, então eu não me importo em usar toda a minha energia nela. Fell’s
Church deve ser salva.
— Mas... Sra. Flowers… O povo daqui… Bem, eles não têm sido… Exatamente
legais com… — Matt gaguejou até que parou de falar.
— O povo daqui é igual ao povo de outros lugares — A Sra. Flowers disse
calmamente. — Trate-os como você gostaria de ser tratado, e as coisas ficarão
bem. Isso só começou quando eu me deixei transformar em uma velha solitária e
amarga, sempre ressentida com o fato de que eu tive de transformar minha casa
em uma pensão só para pagar as despesas, para que as pessoas começassem a me
tratar... Bem, na melhor das hipóteses, como uma velha maluca solitária.
— Oh, Sra. Flowers... E nós temos sido um incômodo para você! — Meredith
descobriu que as palavras vinham sem ela querer.
— Vocês têm sido uma salvação para mim, menina. O querido Stefan foi o
começo, mas como você pode imaginar, ele não quis explicar todas as suas
diferenças para mim, e eu estava suspeitando dele. Mas ele foi sempre cordial e
respeitoso e Elena era como a luz do Sol, e Bonnie como uma risada.
Eventualmente, quando eu deixei minhas barreiras caírem, vocês, jovens, fizeram
o mesmo. Eu não direi nada sobre vocês aqui presentes para não envergonhá-los,
mas vocês fizeram um bem danado para mim.
Matt ultrapassou outro sinal de pare e limpou sua garganta. Em seguida,
com o volante oscilando um pouco, ele a limpou novamente.
Meredith assumiu:
— Eu acho que o que Matt e eu queremos dizer é... Bem, é que você se
tornou alguém muito especial para nós, e não queremos vê-la ferida. Essa batalha...
— É a batalha pelo qual eu tenho esperado, querida. Durante todas as
minhas lembranças. Desde a época em que eu era uma menininha e a pensão fora
construída... Era só uma casa, na época, e eu era bem feliz. Quando jovem, eu
era muito feliz. E agora eu vivi o bastante para ser uma velha... Bem, tirando
vocês, jovens, eu ainda tenho amigos como a Sophia Alpert e a Orime Saitou.
Elas são mulheres que curam os outros, e são muito boas nisto. Ainda falamos
nos diferentes usos de minhas ervas.
Matt estalou os dedos.
— Esse foi outro motivo de eu ter ficado confuso — Ele disse.
— Porque a Dr.ª Alpert disse que você e a Sra. Saitou eram gente boa. Eu
pensei que ela se referia à velha Sra. Saitou...
— Que nem é uma “Sra. Saitou” — A Sra. Flowers disse, quase bruscamente.
— Eu não tenho ideia de qual seja seu nome verdadeiro... Talvez seja mesmo
Inari, a divindade que ficou maligna. Dez anos atrás, eu não sabia o que havia
feito Orime Saitou ficar tão diferente e quieta de repente. Agora eu percebo
que começou no tempo que em sua “mãe” mudou-se para lá. Eu gostava muito da
jovem Isobel, mas de repente ela se tornou... Reservada... Não sendo o jeito de
uma criança de ser. Agora eu entendo. E estou determinada a lutar por ela… E
por vocês… E por uma cidade que vale a pena ser salva. Vidas humanas são muito,
muito preciosas. E agora... Aqui estamos.
Matt acabara de virar no quarteirão das Saitou. Meredith levou um
momento para olhar atentamente para a figura no banco do passageiro.
— Sra. Flowers! — Ela exclamou.
Isso fez com que Matt se virasse para olhar, e o que ele viu fez com que
ele estacionasse o Volkswagen Jetta na calçada.
— Sra... Flowers?
— Por favor, estacione, Matt. Vocês não precisam me chamar de Sra.
Flowers se não quiserem. Eu voltei ao tempo quando eu era Theophilia... Quando
meus amigos me chamavam de Theo.
— Mas... Como... Por quê…? — Matt gaguejou.
— Eu te disse. Eu senti que era hora. Sage me deixou um presente que me
ajudou a mudar. Um inimigo além dos seus poderes para lutar surgiu. Eu senti
isso lá na pensão. Este é o momento pelo qual eu estava esperando. A última
batalha com verdadeiro inimigo de Fell’s Church.
O coração de Meredith parecia mesmo que estava prestes a voar para fora
de seu peito. Ela tinha que se acalmar... Se acalmar e pensar logicamente. Ela
havia visto magia muitas vezes. Ela sabia como ela se parecia, como senti-la.
Mas frequentemente ela estava ocupada demais confortando Bonnie, ou preocupada
demais ajudando Bonnie para poder ter ideia do que estava enfrentando.
Agora eram só ela e Matt... E Matt tinha um olhar abatido e estupefato,
como se ele não tivesse visto magia o suficiente antes... Como se ele estivesse
a ponto de quebrar.
— Matt — Ela disse bem alto, e então ainda mais alto: — Matt!
Ele se virou, por fim, para olhar para ela,
com seus olhos azuis selvagens e obscuros.
— Eles vão matá-la, Meredith!
— Ele disse. — Shinichi e Misao... Você não sabe como é...
— Qual é — Meredith disse. — Nós temos que nos certificar que isto não a mate.
O olhar atordoado passou pelos olhos de Matt.
— Nós temos que fazer isso —
Ele simplesmente concordou.
— Certo — Disse Meredith, finalmente soltando-o.
Juntos, eles saíram do carro para encarar a Sra. Flowers... Não, para
encarar Theo.
Theo tinha cabelos que pediam até quase a cintura, do modo que era junto
eles parecem de prata sob a luz do luar. Seu rosto estava... Eletrizante. Ele
era jovem; jovem e orgulhoso, com as características clássicas e um olhar
tranquilo de determinação.
De alguma forma, durante a viagem, suas roupas haviam mudado também. Ao
invés do sobretudo coberto com pedaços de papel, ela estava usando um vestido
branco sem mangas, que terminavam com um leve babado. Pelo estilo, Meredith
lembrou-se do vestido de sereia que ela mesma havia usado para ir a um baile,
na Dimensão das Trevas.
Mas o vestido de Meredith só fora feito para ela parecer sensual. Theo
parecia... Magnífica. Quanto aos Post-It… De alguma forma o papel havia
desaparecido e a escrita havia crescido enormemente, transformando-se em
rabiscos muito grandes que ficavam em volta do vestido branco. Theo estava
deliberadamente envolta de uma secreta alta costura de proteção.
E embora ela estivesse esbelta, ela estava mais alta. Mais alta que
Meredith, mais alta que Matt, até mesmo mais alta que Stefan, onde quer que ele
esteja na Dimensão das Trevas. Ela estava alta, não porque ela havia crescido
demais, mas porque o babado em seu vestido estava apenas relando no chão. Ela
havia vencido inteiramente a gravidade. O chicote, presente de Sage para ela,
estava enrolado em um círculo em volta de sua cintura, brilhando como prata,
assim como o cabelo dela.
Matt e Meredith simultaneamente fecharam as portas do SUV. Matt deixou o
motor ligado para uma fuga rápida.
Eles andaram ao redor da garagem assim eles poderiam ver a frente da
casa. Meredith, que não se importou em como ela estava, ou se parecia estar bem
ou sob controle, limpou as mãos, uma após a outra, em seus próprios jeans. Esta
seria a primeira — e possivelmente a única — verdadeira batalha da estaca. O
que contava não era a aparência, mas sim o desempenho.
Tanto ela quanto Matt pararam quando viram uma figura parada aos fundos
da varanda. Não era alguém que eles pudessem identificar como moradora da casa.
Mas, em seguida, lábios vermelhos se abriram, as mãos delicadas ergueram-se até
que os cobrissem por completo e um sinal sonoro e selvagem veio de algum lugar
detrás das mãos.
Por um instante eles só puderam ficar encarando, fascinados com esta
mulher que estava vestida toda de preto. Ela estava tão alto quanto Theo, tão
esbelta e graciosa, e ela estava igualmente longe do chão. Mas o que Meredith e
Matt estavam encarando era o fato de que o cabelo dela era igual ao de Misao e
ao de Shinichi — só que ao contrário. Enquanto eles tinham cabelo preto com
pontas vermelhas, esta mulher tinha cabelo vermelho... Muito, muito grande, com
pontas pretas no fim. Não era só isso, mas ela tinha delicadas orelhas negras
de raposa emergindo de seu cabelo, e uma longa e elegante cauda vermelha, com
pontas negras.
— Obaasan? — Matt exclamou incrédulo.
— Inari! — Meredith vociferou.
A adorável criatura nem ao menos olhou para eles. Ela estava olhando
para Theo, com desprezo.
— Uma bruxinha em uma cidade pequena — Ela disse. — Você quase usou todo
o seu Poder só para ficar ao meu nível. O quão boa você é?
— Eu tenho muitos poucos Poderes — Theo concordou. — Mas se a cidade não
vale nada, por que demorar tanto para destruí-la? Por que você assistiu ao
outros tentarem... Ou onde estão todos
os seus peões, Inari? Katherine, Klaus, o pobre e jovem Tyler... Eles eram seus
peões, Deusa Kitsune?
Inari riu — um riso de menininha vinha por detrás de seus dedos.
— Eu não preciso de peões! Shinichi e Misao eram meus servos, como todos
os kitsune são! Se eu os dei um pouco de liberdade, é para que eles ganhassem
experiência. Nós iremos para cidades maiores agora, e as devastaremos.
— Você terá que destruir Fell’s Church primeiro — Theo disse firmemente.
— E eu não deixarei você fazer isso.
— Você não entende, não é? Você é uma humana, com quase sem nenhum
Poder! O meu vem da maior Esfera Estelar dos mundos! Eu sou uma Deusa!
Theo abaixou a cabeça e, em seguida, levantou-a para olhar Inari nos
olhos.
— Você quer saber o que eu penso que seja verdade, Inari? — Ela disse. —
Eu acho que você chegou ao fim de uma longa, longa vida, mas não é imortal. Eu
acho que você diminuiu de forma e, por fim, precisou usar uma grande quantidade
de Poder da sua Esfera Estelar... Onde quer que ela esteja... Para aparecer
desta forma. Você é uma mulher muito, muito antiga e você tem enviado crianças
a lutarem contra seus próprios pais, e estes contra suas crianças, em todo o
mundo, porque você inveja a juventude das crianças. Você até mesmo inveja
Shinichi e Misao, e os deixou serem feridos como um ato de vingança.
Matt e Meredith olharam para ambas com olhos arregalados. Inari estava
respirando rapidamente, mas parecia que ela não podia pensar em nada para
dizer.
— Você ainda fingiu ter entrado em uma “segunda infância” para se
comportar femininamente. Mas nada disto a satisfaz, porque a verdade nua e crua
é que você chegou ao fim de sua longa, longa vida... Não importa o quão grande
seja o seu Poder. Todos nós devemos ter um fim da jornada, e é a sua vez agora.
— Mentirosa! — Gritou Inari, pareceu por um momento mais gloriosa, mais
radiante do que antes.
E então Meredith viu por que. Seu cabelo escarlate, na verdade, começou
a arde, emoldurando seu rosto em uma luz vermelha dançante. E finalmente, ela
falou venenosamente:
— Bem, então, se você acha que esta é minha última batalha, eu devo me
assegurar em causar toda a dor que eu puder. Começando com você, bruxa.
Tanto Meredith quanto Matt arfaram. Eles temiam por Theo, especialmente
quando o cabelo de Inari começou a entrelaçar-se em cordas grossas, como se
fossem serpentes flutuantes em torno de sua cabeça, como se ela fosse a Medusa.
As arfadas foram um erro... Elas chamaram a atenção de Inari. Mas ela
não se moveu. Ela somente disse:
— Sentem este cheiro doce ao vento? Um sacrifício assado! Eu acho que o
resultado será oishii... Delicioso!
Mas talvez vocês dois queiram falar com Orime ou Isobel uma última vez. Temo
que elas não possam sair para vê-los.
O coração de Meredith estava batendo violentamente em sua garganta,
enquanto ela percebia que a casa das Saitou estava em chamas. Parecia que
várias pequenas chamas queimavam, mas ela temia pela insinuação de Inari de que
ela já houvesse feito algo para a mãe e filha.
— Não, Matt! — Ela gritou, pegando o braço de Matt.
Ele teria corrido direto para a mulher risonha vestida de preto e
tentado atacar seus pés — e os segundos tinham um valor inestimável agora.
— Venha me ajudar a encontrá-las!
Theo veio em seu auxílio. Girando o chicote branco, ela o lançou uma vez
em direção à cabeça da mulher e precisamente atingiu uma das mãos de Inari,
deixando um corte sangrento nela. Enquanto Inari se enfurecia e vira-se para
ela, Meredith e Matt correram.
— A porta dos fundos — Matt disse enquanto eles corriam em volta da
casa.
Mais a frente, eles viram uma cerca de madeira, mas nenhum portão.
Meredith estava pensando em usar a estaca como se estivesse em uma competição
de salto com vara, quando Matt ofegou “Aqui! “, fazendo um suporte com sua mão
para ajudá-la a entrar.
— Eu vou te dar impulso!
Meredith hesitou só por um minuto. Então, quando ele parou de falar, ela
colocou seus pés nos dedos entrelaçados dele. De repente, ela estava voando.
Ela aproveitou o máximo que pôde, pousando, ao estilo felino, no topo plano da
cerca e então descendo para o outro lado. Ela pôde ouvir Matt lutando para
subir na cerca, quando ela repentinamente ficou rodeada por uma fumaça preta.
Ela saltou alguns centímetros para trás e gritou:
— Matt, a fumaça é perigosa! Abaixe-se; segure sua respiração. Fique aqui fora para ajudá-la quando eu voltar.
Meredith não tinha ideia se Matt a ouviu ou não, mas ela obedeceu às
suas próprias ordens, agachando-se e prendendo a respiração, abrindo os olhos
rapidamente para tentar encontrar a porta.
Então sua alma quase saiu de seu corpo ao som de um machado batendo na madeira,
fazendo com que a madeira se estilhaçasse, e então o machado entrou em ação
novamente. Ela abriu os olhos e viu que Matt não a tinha escutado, mas ela
estava feliz porque ele havia encontrado a porta. Seu rosto estava preto de
fuligem.
— Está trancada — Ele explicou, erguendo o machado.
Qualquer tipo de otimismo de Meredith se estilhaçou igual a porta quanto
ela viu lá dentro chamas e mais chamas.
Meu Deus, ela pensou, alguém lá deve estar
assando, estando, provavelmente, já morto.
Mas de onde é que veio esse pensamento? De seu conhecimento, ou de seu
medo? Meredith não podia simplesmente parar agora. Ela deu um passo em direção
ao calor escaldante e gritou:
— Isobel! Sra. Saitou! Onde estão vocês?
Houve um grito fraco e asfixiado.
— Devem estar na cozinha — Ela disse. — Matt, é a Sra. Saitou! Por favor, vá ajudá-la!
Matt obedeceu, mas disse por cima dos ombros:
— Não entre muito fundo.
Meredith tinha que entrar. Ela se lembrou onde é
que o quarto de Isobel era. Bem embaixo do da “avó”.
— Isobel! Isobel! Você pode me ouvir? —
Sua voz estava tão baixa e rouca por causa da fumaça que ela sabia que tinha
que continuar.
Isobel devia estar inconsciente ou rouca demais para poder responder.
Meredith caiu de joelhos, se arrastando no chão onde o ar era bem mais limpo e
mais arejado.
Ok. Quarto da Isobel. Ela não quis tocar na
maçaneta da porta com sua mão, então ela enrolou sua camiseta em torno dela. A maçaneta não girou. Trancada. Ela não se incomodou em investigar, ela
simplesmente virou-se e chutou a porta, bem ao lado da maçaneta, como se fosse
uma mula. Um pouco de madeira lascou. Outro chute e a porta se abriu com um
grande estrondo.
Meredith estava se sentindo tonta, mas ela precisava ver o quarto
inteiro. Ela deu dois passos para frente e... Lá estava!
Sentava na cama da sala enfumaçada e quente, mas, em outro caso, escrupulosamente
arrumada, estava Isobel. Enquanto Meredith se aproximava da cama, ela viu — o
que a deixou furiosa — que a garota estava amarrada na cabeceira da cama de
bronze com fita adesiva. Dois cortes com a
estaca a libertaram. Então,
surpreendente, Isobel se moveu, levantando o rosto enegrecido para o de
Meredith.
Foi quando a fúria de Meredith chegou ao auge. A menina tinha fita adesiva
em sua boca, o que a impedia de fazer qualquer pedido de socorro. Estremecendo
e mostrando que ela sabia que seria doloroso, Meredith agarrou a fita adesiva e
a arrancou de uma vez. Isobel não gritou; ao invés disso, ela respirou
profundamente várias vezes o ar enfumaçado.
Meredith tropeçou em direção ao armário, pegou duas camisas brancas de
aparência idêntica e voltou até Isobel. Havia um copo cheio de água ao lado
dela, na mesa de cabeceira. Meredith se perguntou se aquilo fora colocado
deliberadamente para aumentar a agonia de Isobel, mas não hesitou em usá-lo.
Ela fez com que Isobel bebesse um breve gole, dando outro gole ela mesma, e
então encharcou cada camiseta. Ela segurou uma em sua própria boca e Isobel a
imitou, segurando a camisa molhada por cima de seu nariz e boca. Então Meredith
a segurou e a guiou de volta até a porta.
Depois disso, a jornada de volta simplesmente se tornou um pesadelo,
pois ela tinha que se ajoelhar, rastejar e tentar não se asfixiar, puxando
Isobel junto com ela o tempo todo. Meredith pensou que nunca iria acabar, pois
cada centímetro para frente tornou-se cada vez mais difícil. A estaca tinha um
peso insuportável para se carregar junto dela, mas ela se recusou a
abandoná-la.
Ela é preciosa, sua mente disse, mas vale mais que sua vida?
Não, Meredith disse. Não vale mais que minha vida, mas quem sabe o que mais estará lá fora se eu conseguir
tirar Isobel desta escuridão?
Você nunca a salvará se morrer, só por causa de... Um objeto.
Não é um objeto!
Dolorosamente, Meredith usou a estaca para tirar alguns destroços
fumegantes de seu caminho.
Ela pertenceu ao meu avô na época em que ele estava são. Ela se encaixa
em minha mão. Não é só um objeto!
Faça do seu jeito, a voz disse, e
desapareceu.
Meredith estava começando a corer sobre mais destroços agora. Apesar da
cólica em seus pulmões, ela tinha certeza que poderia conseguir chegar até a
porta dos fundos. Ela sabia que deveria haver uma lavanderia à sua direita.
Elas deviam ser capazes de respirar ar fresco lá.
E, de repente, no escuro, algo bateu com tudo contra sua cabeça. Isso fez
com que sua visão escurecesse por um longo tempo antes que ela pudesse dar um
nome à coisa que a havia machucado: uma poltrona.
De alguma forma, elas haviam se arrastado demais. Ali era a sala de
estar.
Meredith se inundou de medo. Elas tinham ido longe demais e não podiam
sair pela porta da frente por causa da batalha mágica. Elas teriam que voltar,
e desta vez se certificarem em encontrar a lavanderia, a porta para a
liberdade.
Meredith se virou, puxando Isobel com ela, esperando que a menina mais
jovem entendesse o que elas tinham que fazer.
Ela deixou a estaca no chão da sala de estar em chamas.
Elena soluçou para recuperar o fôlego, mesmo quando ela permitia que
Stefan a ajudasse agora. Ele correu, segurando Bonnie por um lado, e Elena pelo
outro. Damon estava em algum lugar lá na frente... Vigiando.
Não deve estar longe agora, ela continuou pensando. Bonnie e eu vimos um
brilho... Nós duas vimos.
E então, como uma lanterna colocada contra uma janela, Elena viu
novamente.
Ela é grande, este é o problema. Eu fico pensando se conseguiremos alcançá-la,
pois tenho a ideia errada de qual seja o seu verdadeiro tamanho. Quanto mais
perto chegamos, maior fica.
E isso é bom para nós.
Precisaremos de muito Poder. Mas precisamos chegar lá logo, ou todo o Poder do
universo não será de grande ajuda. Seria tarde demais.
Shinichi havia indicado de que eles poderiam
estar atrasados... Mas Shinichi nasceu como um mentiroso. Ainda assim, um pouco
além deste estaria...
Oh, meu bom Deus, ela pensou. É uma Esfera Estelar.













Olá, gostei muito do seu site e estou acompanhando a Leitura Semanal e senti falta dos capítulos 37 e 38 que deveria ter saído dia 17.será postado? estou esperando ansiosamente.Valeu!!!
ResponderExcluirAdorei o site estou acompanhando a Leitura Semanal e gostaria muito dos próximos capítulos.
ResponderExcluirestou anciosa para saber o que vai acontecer nos proximos capitulos
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