Leitura Semanal - Diários do Vampiro, o retorno: Meia-Noite #13



Sinopse: Elena retorna da Dimensão das Trevas, tendo liberto seu namorado vampiro Stefan Salvatore do aprisionamento... Mas não sem uma consequência. Sua salvação custará bastante. Ainda se recuperando do último choque, eles são forçados a encarar os demônios que dominaram Fell's Church. Elena deve tomar uma decisão que custará seu amor: Damon ou Stefan?

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Capítulo 23

 No carro, Matt sentou-se ao lado da Meredith adormecida com Sabber amontoado em seus pés, ouvindo chocado e com medo enquanto eles recontavam a história de Meredith. Quando eles terminaram, ele foi capaz de falar sobre suas próprias experiências.
  — Terei pesadelos a minha vida inteira em relação ao Cole Reece. — Ele admitiu. — Mesmo depois de eu ter colocado um amuleto nele, e ele ter chorado, a Dr.ª Alpert disse que ele ainda estava infectado. Como podemos lugar com uma coisa que está tão fora do controle?
  Elena sabia que ele estava olhando para ela. Ela afundou suas unhas na palma de suas mãos.
  — Não é que eu não tenha tentado usar as Asas da Purificação sobre toda a cidade. Eu tentei tanto que sinto que vou explodir. Mas isso não é bom. Eu nem ao menos posso controlar meus Poderes de Asa! Eu acho... Depois do que eu aprendi com Meredith… Que talvez eu precise treinar. Mas como eu faço isso? Onde? Com quem?
  Houve um longo silêncio no carro. Por fim, Matt disse:
  — Estamos todos no escuro. Veja aquele tribunal! Como eles podem ter tantos lobisomens em uma só cidade?
  — Lobos são sociáveis. — Stefan disse silenciosamente. — Parece que há uma comunidade inteira de lobisomens em Ridgemont. Vivendo junto com os Clubinhos de Ursos, Alces e Leões, é claro. Para espionar as únicas criaturas que eles temem: os humanos.
  Na pensão, Stefan carregou Meredith para o quarto do primeiro andar e Elena puxou as cobertas para cima dela. Então, ela foi à cozinha, onde a conversa continuava.
  — E quanto àquelas famílias de lobisomens? Suas esposas? — Ela exigiu enquanto ela esfregou os ombros de Matt, onde ela sabia que os músculos deviam estar fortemente machucados depois de serem algemados às suas costas.
  Seus dedos macios acalmaram as contusões, mas suas mãos eram fortes, e ela continuou massageando e massageando até que seus próprios músculos do ombro começaram a reclamar... Muito.
  Stefan a interrompeu:
  — Vai pra lá, amor, eu tenho a magia maligna de um vampiro. Esse é um tratamento médico necessário. — Ele adicionou severamente para Matt: — Então você vai ter que aguentar não importe o quanto doa.
  Elena ainda pôde senti-lo, fracamente, através de sua conexão e ela viu como ele anestesiava a mente de Matt e, em seguida, cravara seus dedos nos ombros cheios de nós como se estivesse amassando massa de pão dura, enquanto alcançava seus Poderes de cura.
  A Sra. Flowers chegou, então, com canecas de chá de canela quentes e doces. Matt bebeu de sua caneca e sua cabeça caiu para trás ligeiramente. Seus olhos estavam fechados, seus lábios abertos.
  Elena sentiu uma grande onda de dor e tensão fluir para fora dele. E então ela abraçou a ambos os garotos e chorou.
  — Eles me capturaram enquanto eu vinha para cá. — Matt admitiu enquanto Elena fungava. — Eles seguiram o código de polícia, mas nem se deram ao trabalho de... Olhar o caos que estava ao seu redor.
  A Sra. Flowers se aproximou novamente, parecendo séria.
  — Quero Matt, você teve um dia terrível. O que você precisa é de um longo descanso. — Ela deu uma olhadela para Stefan, como se para ver como isso impactaria nele, já que havia tão poucos doadores de sangue.
  Stefan sorriu tranquilizadoramente para ela.
  Matt, ainda com a cabeça inclinada, simplesmente concordou. Depois disso, sua cor começou a voltar e um sorrisinho for a plantado em seus lábios.
  — Aí está meu garoto — Ele disse quando Sabber passou entre as pessoas para ir diretamente ao rosto de Matt. — Amigão, eu amo esse seu bafo de cachorro. — Ele declarou. — Você me salvou. Ele pode ganhar uma recompensa, Sra. Flowers? — Ele perguntou, virando seus olhos azuis desfocados para ela.
  — Eu sei exatamente o que ele gostaria. Tenho metade de um bife deixado no freezer que só precisa ser aquecido um pouquinho. — Apertando os botões de sua blusa, disse: — Matt, gostaria de fazer as honras? Lembre-se de levar o osso para fora... Ele deve ir correr atrás dele.
 Matt pegou o grande bife, no qual, depois de aquecido, cheirava tão bem que o fez perceber que ele estava faminto. Ela sentiu sua moral entrar em colapso.
  — Sra. Flowers, você acha que eu devia fazer um sanduíche antes de dar isto a ele?
  — Oh, pobre garoto! — Ela gritou. — E eu nem ao menos pensei... Claro, eles não te dariam almoço ou janta.
  A Sra. Flowers pegou pão e Matt ficou feliz o suficiente com isso: pão e carne, o pão mais simples imaginável... E tão bom que fez seus dedos tremerem.
  Elena chorou um pouquinho mais. Era tão fácil fazer duas criaturas felizes com uma coisa tão simples. Mais do que duas... Todos estavam felizes por verem Matt a salvo e ver Sabber ganhando sua própria recompensa.
  O enorme cão seguiu cada movimento do bife com os olhos, a cauda sacudindo para frente e para trás no chão. Mas quando Matt, ainda mastigando, ofereceu a ele um pedaço grande de carne que sobrara, Sabber simplesmente sacudiu a cabeça para um lado, olhando como se dissesse: “Você deve estar brincando comigo”.
  — Sim, é para você. Vá em frente e pegue. — A Sra. Flowers disse firmemente.
  Finalmente, Sabber abriu sua enorme boca para pegar o fim do bife, a cauda balançando como hélice de helicóptero. Sua linguagem corporal era tão clara que Matt riu bem alto.
  — Uma vez, isso esteve aqui no chão. — A Sra. Flowers adicionou magnificamente, espalhando um grande tapete pelo chão da cozinha.
  A alegria de Sabber só era ultrapassada por suas boas maneiras. Ele colocou o bife no tapete e então trotou para cima de cada humano para colocar seu nariz molhado nas mãos ou cintura ou embaixo do queixo deles, e então trotou de volta para atacar seu prêmio.
  — Eu me pergunto: será que ele sente falta de Sage? — Elena murmurou.
  — Eu sinto falta de Sage. — Matt indistintamente. — Precisamos de toda ajuda mágica que conseguirmos.
  Enquanto isso, a Sra. Flowers estava andando pela cozinha fazendo sanduíches de presunto e queijo e embalando-os como se fossem lanches para o intervalo da escola.
  — Alguém que acordar tarde da noite com fome deve ter algo para se comer. — Ela disse. — Presunto e queijo, salada de frango, alguns bons pedaços de cenouras e um grande pedaço de torta de maçã.
  Elena foi ajudá-la.
  Ela não sabia por que, mas ela queria chorar um pouco mais.
  A Sra. Flowers a consolou.
  — Todos nós estamos nos sentindo... É… Cansados. — Ela anunciou gravemente. — Quem não sentir que vai direto para cama, é porque deve ter muita adrenalina correndo em suas veias. Tenho algo que ajudará nisso. E acho que podemos confiar em nossos amigos animais e nos amuletos no telhado para nos deixar a salvos esta noite.
  Matt estava praticamente dormindo em pé.
  — Sra. Flowers... Algum dia, eu vou retribuir… Mas por enquanto, não consigo ficar de olhos abertos.
  — Em outras palavras: “É hora de dormir, crianças.” — Stefan disse.
  Ele fechou as mãos de Matt firmemente em um pacote que continha um sanduíche, então o direcionou em direção às escadas. Elena pegou muitos mais lanches, beijou a Sra. Flowers duas vezes e subiu para o quarto de Stefan.
  Ela tinha a cama no sótão em sua frente e estava abrindo o pacote de plástico quando Stefan chegou, após colocar Matt na cama.
  — Ele está bem? — Ela disse ansiosamente. — Quer dizer, ele ficará bem amanhã?
  — Ele estará bem com o seu corpo. Eu curei a maioria dos danos.
  — E em sua mente?
  — É uma coisa difícil. Ele acaba se encarar a Vida Real. Preso, sabendo que poderia ser linchado, sem saber se alguém seria capaz de descobrir o que acontecera a ele. Ele pensou que mesmo se o rastreássemos, poderia haver uma briga, no qual seria difícil de vencer... Com tão pouco de nós, e sem tanta magia a disposição.
  — Mas Sabber deu um jeito deles. — Elena disse.
  Ela olhava pensadoramente para os sanduíches que ela havia deixado em cima da cama.
  — Stefan, você quer salada de frango ou presunto? — Ela perguntou.
  Houve um silêncio. Mas foi momentos antes de Elena olhar para ele, atônica.
  — Oh, Stefan... Eu... Eu realmente esqueci. É que… Hoje foi tão estranho… Eu esqueci
  — Estou lisonjeado. — Stefan disse. — E você está sonolenta. O que quer que seja que a Sra. Flowers tenha colocado em seu chá...
  — Acho que o governo se interessaria nisto. — Ela ofereceu. — Para espionagem e coisas assim. Mas por enquanto...
  Ela ergueu seus braços, a cabeça inclinada para trás, com o pescoço exposto.
  — Não, amor. Eu me lembro desta tarde, caso você não se lembre. E jurei que iria começar a caçar, e eu vou. — Stefan disse firmemente.
  — Você vai me deixar? — Elena disse assustada.
  Eles encararam um ao outro.
  — Não vá. — Elena disse, tirando seu cabelo de seu pescoço. — Eu tenho tudo planejado, como você vai beber, e como iremos dormir abraçadinhos. Por favor, não vá, Stefan.
  Ela sabia o quão difícil era para ele deixá-la. Mesmo se ela estivesse sorrindo maliciosamente e nua, mesmo se ela estivesse usando jeans grunge e tivesse a parte debaixo das unhas sujas. Ela era infinitamente linda e infinitamente poderosa e misteriosa para ele. Ele foi para ela. Elena pode sentir isso através de seu laço, no qual estava começando a fazer um zumbido, começando a se aquecer, começando a aproximá-lo.
  — Mas Elena. — Ele disse.
  Ele estava tentando ser sensível! Ele não sabia que ela não queria sensibilidade neste momento em particular?
  — Bem aqui. — Elena bateu num ponto macio em seu pescoço.
  A ligação deles estava cantando como uma linha de Poder elétrico agora. Mas Stefan era teimoso.
  — Você precisa comer, precisa. Você tem que manter sua força. — Elena imediatamente pegou um sanduíche de salada de frango e o mordeu.
  H’mm... Delícia. Estava realmente muito bom. Ela teria que dar à Sra. Flowers um buquê de flores.
  Eles estavam sendo tão bem cuidados aqui. Ela tinha que pensar num jeito de ajudar mais.
  Stefan a assistiu comer. Isso fez com que ele ficasse faminto, mas isso por que ele estava acostumado a comer a essa hora, e não costumava fazer exercícios. Elena pôde ouvir tudo através de sua conexão e ela o ouviu pensar que ele estava feliz por ver Elena renovada. Que ele havia aprendido a lição; que não faria mal algum ir para cama sentindo fome só por uma noite. Ele abraçaria sua adorável e sonhadora Elena a noite toda.
  Não! Elena estava horrizada.
  Desde que ele esteve aprisionado na Dimensão das Trevas, tudo que sugeria que ele ficasse sem comer a aterrorizava. De repente, ela teve dificuldade em engolir a mordida que havia dado.
  — Aqui, aqui... Por favor? — Ela implorou para ele.
  Ela não queria ter de seduzi-lo a fazer isso, mas ela faria se ele a forçasse. Ela lavaria suas mãos em relação àquilo, e colocaria uma camisola longa e agarrada, afagaria seus caninos teimosos entre beijos, ia tocá-los suavemente com a ponta de sua língua, apenas na base, onde eles não a cortariam enquanto eles respondessem àquele sinal e crescessem. E então ele estaria tonto, ele estaria fora do controle, ele seria seu completamente.
  Tudo bem! Tudo bem! Stefan pensou para ela. Tenha piedade!
  — Eu não quero ter piedade. Eu não quero que você me deixe. — Ela disse, abrindo seus braços para ele, e ouviu sua própria voz suave, macia e ansiosa. — Quero que você me abrace e fique comigo para sempre, assim como eu quero abraçá-lo e ficar contigo para sempre.
  A face de Stefan havia mudado. Ele olhou para ela com o olhar que ele havia usado na prisão, quando ela havia ido visitá-lo com roupas decentes — ao contrário daquela sujeira que ela estava usando agora — e ele disse, aturdido:
  — Tudo isso... É pra mim?
  Naquela época, havia arame farpado entre eles. Agora, não havia nada para separá-los e Elena pôde ver o quanto Stefan queria vir para ela. Ela se aproximou um pouquinho e, em seguida, Stefan entrou no círculo de seus braços e segurou-a firmemente, mas com um infinito cuidado para não usar força o suficiente para machucá-la. Quando ele relaxou e encostou a testa na dela, Elena percebeu que ela nunca se cansaria ou ficaria triste ou assustada, sem ser capaz de pensar neste sentimento que ele iria defender para o resto de sua vida.
  Por fim, eles afundaram no conjunto de lençóis, confortaram um ao outro em medidas iguais, e trocaram beijos doces e quentes. Com cada beijo, Elena sentiu o mundo exterior e todos os seus horrores se afastando cada vez mais. Como algo podia estar errado quando ela própria sentia que o céu estava próximo? Matt, Meredith, Bonnie e Damon certamente estariam seguros e felizes também. Enquanto isso, cada beijo a trazia para mais perto do paraíso, e ela sabia que Stefan se sentiu da mesma forma. Eles estavam tão felizes juntos que Elena sabia que logo todo o universo ecoaria com a alegria deles,que transbordaria como uma luz e transformaria tudo que tocasse.

  Bonnie acordou e percebeu que ela havia estado inconsciente por apenas alguns minutos. Ela começou a tremer, e uma vez que começou, não conseguiu parar. Ela sentiu uma onda de calor envolvendo-a, e ela sabia que Damon estava tentando aquecê-la, mas a tremedeira não ia embora.
  — O que há de errado? — Damon perguntou, e sua voz estava diferente da de costume.
  — Eu não sei. — Bonnie disse. Ela não sabia. — Talvez por que eles ficavam ameaçando me jogar pela janela. Eu não ia gritar a respeito disso. — Ela adicionou apressadamente, no caso de ele assumir que ela gritaria. — Mas então eles falaram sobre me torturar...
 Ela sentiu um pequeno espasmo indo através de Damon. Ele estava abraçando-a muito forte.
  — Te torturar! Eles te ameaçaram com isso?
  — Sim, porque, você sabe, a Esfera Estelar de Misao se foi. Eles sabiam que seu líquido fora jorrado; eu não contei isso a eles. Mas eu tive de contar que era minha culpa a última metade ter sido jorrada, e então eles ficaram bravos comigo. Oh! Damon, você está me machucando!
  — Então foi sua culpa ela ter sido jorrada, né?
  — Bem, eu deduzi que fosse. Você não teria feito isso se eu não estivesse bêbada, e... O qu-que há de errado, Damon? Você está bravo também?
  Ele estava abraçando-a tanto que ela não podia respirar.
  Devagar, ela sentiu seus braços a soltarem um pouco.
  — Um aviso, passarinho: quando as pessoas estão ameaçando te torturar e te matar, é mais... Inteligente... Dizer a eles que a culpa é de outra pessoa. Especialmente se acontecer de isso ser a verdade.
  — Eu sei disso! — Bonnie disse indignadamente. — Mas eles iam me matar de qualquer forma. Se eu contasse sobre você, eles teriam te machucado, também.
  Damon a puxou de volta para perto dele, assim ela teve que olhar para seu rosto.
  Bonnie também pôde sentir o delicado toque de uma sonda telepática mental. Ela não resistiu; ela estava ocupada demais se perguntando por que ele tinha sombras cores de ameixa sob seus olhos. Então ele sacudiu a cabeça dela um pouquinho, e ela parou de pensar.
  — Você nem ao menos entende o básico de autopreservação? — Ele disse, e ela pensou ele parecia bravo agora.
  Certamente, ele estava diferente das outras vezes que ela o havia visto...
  Exceto uma vez, ela pensou, e isso foi quando Elena fora “Disciplinada” por ter salvado a vida de Lady Ulma, na época em que Ulma havia sido uma escrava.
  Ele tinha a mesma expressão agora, tão ameaçadora que até mesmo Meredith havia tido medo dele, e ainda tão cheio de culpa que Bonnie tinha o desejo de confortá-lo.
  Mas tinha que ter outro motivo, a mente de Bonnie disse à ela. Porque você não é a Elena, ele nunca te tratará da forma que trata a Elena.
  Uma visão da sala marrom surgiu diante dela, e ela tinha certeza que ele nunca teria colocado Elena lá. Elena não teria deixado, para começo de conversa.
  — Eu tenho que voltar? — Ela perguntou, percebendo ela estava sendo insignificante e boba e o quarto marrom parecia o paraíso comparado com o outro lugar que esteve há pouco tempo atrás.
  — Voltar? — Damon disse, um pouco rápido demais. Ela teve o pressentimento de ele havia visto o quarto marrom também, agora, através de seus olhos. — Por quê? A mulher me deu tudo daquele quarto. Então, estou com suas verdadeiras roupas e um monte de Esferas Estelares aqui, no caso de você não ter visto alguma. Mas por que você pensaria que teria de voltar?
  — Bem, eu sei que você estava procurando por uma vampira de qualidade, e eu não sou uma. — Bonnie disse simplesmente.
  — Isso foi só para que eu pudesse voltar a ser um vampiro. — Damon disse. — E o que você pensa que está te segurando no ar neste instante?
  Mas desta vez Bonnie sabia, de alguma forma, que a sensação das Esferas Estelares “Nunca Mais Lembrar” ainda estavam em sua mente e que Damon parecia vê-las também. Ele era um vampiro novamente. E o conteúdo daquelas Esferas Estelares era tão abominável que o interior de pedra de Damon finalmente se quebrou.
  Bonnie quase pôde ver o que ele pensava deles, e dela, tremendo embaixo de um cobertor toda noite.
  E então, para o seu espanto, o sempre composto e novíssimo vampiro desabafou:
  — Me perdoe. Eu não pensei em como aquele lugar seria para você. Há algo que fará você se sentir melhor?
  Bonnie piscou. Ela pensou, seriamente, se ela estava sonhando. Damon não se desculpada. Damon era famoso por não se desculpar, ou se explicar, ou falar gentilmente com as pessoas, ao menos que ele quisesse algo delas.
  Mas uma coisa parecia real. Ela não teria mais que dormir no quarto marrom.
  Isso era tão animador que ela corou um pouquinho, e se atreveu a dizer:
  — Poderíamos ir ao chão? Devagar? Porque a verdade é que tenho medo de altura.
  Damon piscou, mas disse:
  — Sim, acho que posso fazer isso. Há algo mais que você gostaria?
  — Bem...Há algumas garotas que seriam doadoras... Alegrementes... Se... Bem… Se sobrou algum dinheiro… Se você pudesse salvá-las…
  Damon disse um pouco bruscamente:
  — É claro que sobrou algum dinheiro. Eu até exigi de volta o dinheiro de sua hospedagem para aquela bruxa.
  — Bem, então, tem esse segredo que eu contei a você, mas eu não sei se você se lembra.
  — Quando você acha que se sentirá bem para começarmos? — Perguntou Damon.

Capítulo 24

 Stefan acordou bem cedo. Ele passou seu tempo desde o amanhecer até o café da manhã olhando Elena, que até mesmo dormindo tinha um brilho interno parecido com uma chama dourada através de uma vela ligeiramente rosada.
  No café da manhã, todos estavam mais ou menos presos em pensamentos do dia anterior. Meredith mostrou a Matt a foto de seu irmão, Cristian, o vampiro. Matt disse brevemente à Meredith sobre o funcionamento interno do sistema judicial de Ridgemont e pintou um retrato de Caroline como lobisomem. Estava claro que ambos se sentiam mais seguros na pensão do que em qualquer outro lugar.
  E Elena, que havia acordado com a mente de Stefan ao seu redor, abraçando-a, e com sua própria mente cheia de luz, estava bolada demais para criar um Plano A ou qualquer outra coisa. Os outros lhe disseram gentilmente que só havia uma coisa que fazia sentido.
  — Stefan — Matt disse, bebendo uma caneca de café preto como breu da Sra. Flowers. — Ele é o único capaz de usar sua mente ao invés de Post-It nas crianças.
  E...
  — Stefan — Disse Meredith — Ele é o único que Shinichi deve temer.
  — Eu não sou uma completa inútil. — Elena disse tristemente.
  Ela não tinha apetite. Ela havia se vestido com um sentimento de amor e compaixão para com toda a humanidade e um desejo de ajudar e proteger sua cidade natal, mas como todos apontaram, ela teria que passar o dia inteiro na dispensa, provavelmente. Repórteres poderiam ligar.
  Eles estão certos, Stefan enviou à Elena. Eu sou a pessoa que deve descobrir o que está acontecendo em Fell’s Church.
  Ele saiu enquanto todos os outros terminavam o café da manhã. Somente Elena soube o porquê; somente ela pôde senti-lo nos limites de seu alcance telepático.
  Stefan estava caçando. Ele dirigiu para New Wood, saiu do carro e finalmente surpreendeu um coelho que saía de um arbusto. Ele o Influenciou para que descansasse e não tivesse medo.
  Disfarçadamente, nesta floresta fina e quase sem árvores, tomou um pouco do sangue dele... E engasgou.
  Tinha o gosto de algum tipo de líquido horrível aromatizado com roedores. Um coelho era um roedor? Ele havia tido muita sorte ao encontrar um rato, um dia lá na cela da prisão, e tinha um gosto vagamente parecido com este.
  Mas agora, durante dias, ele esteve bebendo sangue humano. Não só isso, mas sangue rico e potente, aventureiro e, em alguns casos, de indivíduos talentosos paranormalmente — crème de la crème. Como ele pôde ter se acostumado a isso tão rapidamente?
  Isso era uma vergonha para ele, só de pensar que ele se acostumara. O sangue de Elena, é claro, era o suficiente para levar qualquer vampiro à loucura. E Meredith, cujo sangue tinha o gosto primordial de algum oceano profundo e vermelho, e Bonnie, que tinha o gosto de sobremesa. E finalmente, Matt, o típico garoto americano com sangue avermelhado.
  Eles o alimentaram durante horas, na época em que ele precisava sobreviver.
  Eles o alimentaram até que ele começasse a se curar, e vendo que ele estava se curando, eles o alimentaram ainda mais. E isso continuou e continuou, terminando com Elena na noite anterior... Elena, cujo cabelo caía em uma cascata prateada e cujos olhos pareciam quase radiar.
  Na Dimensão das Trevas, Damon não havia exercido qualquer restrição. Elena também não havia exercido.
  Esta cascata prateada... O estômago de Stefan se apertou quando ele pensou sobre isso, sobre a última vez que ele tinha visto o seu cabelo deste jeito. Ela havia sido morta logo em seguida. Por pouco tempo, mas morta do mesmo jeito.
  Stefan deixou o coelho fugir. Ele estava fazendo outro juramento. Ele não devia transformar Elena em uma vampira novamente. Isso significava nada de troca de sangue entre eles por no mínimo uma semana... Tanto dando quanto recebendo pode levá-la ao limite.
  Ele devia se ajustar mais uma vez ao gosto do sangue animal.
  Stefan fechou os olhos brevemente, lembrando-se do horror da primeira vez. As câimbras. As tremedeiras. A agonia que seu corpo inteiro parecia dizer que ele não estava sendo alimentado. O sentimento de que suas veias poderiam explodir em chamas a qualquer momento, e então a dor em suas presas.
  Ele se levantou. Ele tinha sorte por estar vivo. Mais sorte do ele poderia ter sonhado ao ter Elena ao seu lado. Ele trabalharia no reajustamento sem incomodá-la ao dizer o que estava acontecendo, ele decidiu.
  Duas horas mais tarde, Stefan estava de volta à pensão, mancando ligeiramente. Matt, que o encontrara na pesada porta da frente, percebeu logo isso.
  — Você está bem? É melhor entrar e colocar um gelo nisso.
  — É só uma câimbra. — Stefan disse brevemente. — Não estou acostumado a fazer exercícios. Não havia nenhum lá na... Você sabe.
  Ele olhou para longe, corando. O mesmo fez Matt, que estava quente e frio, furioso com as pessoas que colocaram Stefan nesta condição. Vampiros eram bem resistentes, mas ele tinha o pressentimento... Não, ele sabia... Que Stefan havia quase morrido em sua cela. Um dia em um local fechado à chave convenceu Matt que ele nunca mais queria ser preso novamente.
  Ele seguiu Stefan até a cozinha, onde Elena, Meredith e a Sra. Flowers estavam bebendo — o que mais poderia ser? — canecas de chá.
  E Matt sentiu uma pontada quando Elena imediatamente percebeu que ele estava mancando e se levantara até Stefan, e Stefan a abraçou levemente, passando seus dedos tranquilizadores pelos cabelos dela.
  Matt não pôde evitar de pensar: aquele glorioso cabelo dourado havia se tornado mais brilhante?
  Mais parecido com o dourado prateado que havia sido quando Elena havia fugido com Stefan, e então começou a se transformar em uma vampira?
  Certamente, Stefan parecia estar inspecionando bem de perto, enchendo a mão enquanto ele passava seus dedos.
  — Teve sorte? — Elena perguntou a ele, com a voz tensa.
  Cansado, Stefan balançou a cabeça.
  — Subi e desci as ruas e onde quer que eu encontrasse... Uma jovem que estivesse se contorcendo, rodando em círculos, ou fazendo qualquer outra coisa que os documentos mencionavam, eu tentava Influenciá-las. Bem, talvez eu não devesse ter me preocupado com as garotas que andavam em círculos. Eu não conseguia alcançar seus olhos. Mas no fim, o placar continua a zero pra gente.
  Elena virou-se para Meredith, em agitação.
  — O que fazemos?
  A Sra. Flowers ativamente começou a vasculhar através de feixes de ervas que pendiam acima de seu fogão.
  — Vocês precisam de uma bela xícara de chá.
  — E descansar. — Meredith disse, batendo levemente na mão dele. — Posso fazer algo por você?
  — Bem... Eu tenho uma ideia... Mas preciso da Esfera Estelar de Misao para ver se vai funcionar. Não se preocupem. — Ele adicionou. — Não usarei o Poder dentro dela; só preciso olhar para a superfície.
  — Eu trago. — Elena ofereceu, levantando-se prontamente de seu colo.
  Matt ia começar a dizer algo, mas olhou para a Sra. Flowers enquanto Elena foi até a porta da dispensa e a abriu. Nada se moveu e a Sra. Flowers simplesmente assistiu com benevolência. Foi Stefan que se levantou para ajudá-la, ainda mancando. Então, Matt e Meredith ergueram-se, com Meredith perguntando:
  — Sra. Flowers, você tem certeza que devemos manter a Esfera Estelar naquele mesmo cofre?
  — Mama disse que estamos fazendo a coisa certa. — A Sra. Flowers respondeu serenamente.
  Depois disso, as coisas aconteceram muito rapidamente.
  Como se tivesse ensaiado, Meredith pressionou o lugar exato para abrir a porta da dispensa. Elena caiu de quatro. Mais rápido do que ele mesmo tinha imaginado que poderia ir, Matt deu uma barricada em Stefan com um ombro para baixo. A Sra. Flowers estava pegando freneticamente as faixas de ervas secas que pendiam sobre a mesa da cozinha.
  E, em seguida, Matt estava batendo em Stefan com todo o poder de seu corpo e Stefan foi tropeçando até Elena, sua cabeça caindo e caindo sem encontrar resistência no caminho. Meredith estava chegando até ele de lado para ajudá-lo a fazer uma pirueta completa no ar. Assim que a pirueta o levou até a porta da dispensa e ele foi engatinhando em direção às escadas, Elena se levantou e fechou a porta e Meredith se encostou a ela enquanto Matt gritava:
  — Como é que se prende um kitsune?
  — Isso deve ajudar. — Arfou a Sra. Flowers, recheando um saco cheio de ervas odoríferas para colocar embaixo da porta.
  — E… Ferro! — Gritou Elena, e ela, Meredith e Matt correram até a Toca do Damon onde havia um enorme protetor de lareira de ferro.
  De algum jeito, eles voltaram rapidamente à cozinha e colocaram-no em frente à porta da dispensa. Só então houve a primeira trombada, mas o ferro era pesado e a segunda trombada contra a porta fora mais fraca.
  — O que vocês estão fazendo? Todos enlouqueceram? — Stefan gritou em tom queixoso, mas enquanto todo o grupo começava a colocar Post-It na porta, ele xingou e transformou-se completamente em Shinichi. — Vocês vão se arrepender, seus malditos! Misao não está bem. Ela chora muito. Vocês pagarão com seu sangue, mas não antes de eu lhes apresentar uns amiguinhos especiais meus. Do tipo que sabem como causar dor verdadeira!
  Elena ergueu a cabeça, como se ouvisse alguma coisa. Matt a viu franzir o cenho. Então, disse a Shinichi:
  — Nem tente sondar Damon. Ele se foi. E se você tentar rastreá-lo, eu vou fritar seu cérebro.
  Um silêncio sombrio a cumprimentou da dispensa.
  — Minha deusa graciosa, o que virá a seguir? — Murmurou a Sra. Flowers.
  Elena simplesmente assentiu com a cabeça para que os outros a seguissem, e eles foram para o topo da casa — o quarto do Stefan — e falaram entre sussurros.
  — Como você sabia?
  — Você usou telepatia?
  — Eu não sabia no começo — Matt admitiu —, mas Elena estava agindo como se a Esfera Estelar estivesse na dispensa. Stefan sabia que não estava lá. Eu acho — Ele adicionou com um pouco de culpa. — que eu o convidei para entrar.
  — Eu soube assim que ele começou a apalpar meu cabelo. — Elena disse com um estremecimento. — Stefan e D... Quer dizer, Stefan sabe que eu só gosto que o toquem levemente e nas pontas. Não atacando daquele jeito. Lembram-se das cançõezinhas de Shinichi sobre cabelo dourado? Ele é um doido. De qualquer forma, eu pude dizer ao sentir sua mente.
  Matt sentiu-se envergonhado. Todos os seus pensamentos de que Elena talvez pudesse ter se transformado em uma vampira...
  E aí estava a resposta, ele pensou.
  — Eu olhei o seu anel de lápis-lazúli. — Meredith disse. — Eu o vi com ele na sua mão direita quando ele saiu mais cedo. Quando ele voltou, ele estava com aquilo na mão esquerda.
  Houve uma breve pausa enquanto todos olhavam para ela. Ela deu de ombros.
  — Faz parte do meu treinamento, notar coisas pequenas.
  — Bem pensado. — Matt disse, por fim. — Bem pensado. Ele não seria capaz de mudar à luz do Sol.
  — Como você soube, Sra. Flowers? — Elena perguntou. — Ou foi só por causa do modo que estávamos agindo?
  — Meu Deus, não, vocês todos são bons atores. Mas assim que ele pisou no limiar da porta, Mama gritou para mim: “O que vocês estão fazendo ao deixar um kitsune entrar em sua casa?” Assim, eu soube o que estava acontecendo.
  — Nós o derrotamos! — Elena disse, sorrindo. — Nós realmente pegamos Shinichi de guarda baixa! Eu mal posso acreditar.
  — Acredite. — Meredith disse com sorriso torto. — Ele esteve de guarda baixa por um instante. Ele estará pensando em vingança neste momento.
  Alguma coisa a mais estava incomodando Matt. Ele virou-se para Elena.
  — Eu pensei que você tinha dito que você e Shinichi tinham chaves que poderiam levá-los a qualquer lugar, a qualquer hora. Então, por que ele simplesmente não disse: “Me leve para dentro da pensão onde a Esfera Estelar está?”
  — Aquelas eram diferentes das Chaves Gêmeas em formato de raposa. — Elena disse, suas sobrancelhas desenhadas em conjunto. — Elas são, tipo, as Chaves Mestras e Shinichi e Misao ainda têm ambas. Eu não sei por que ele não usou a dele. Embora isso o levasse para outro lugar no momento em que ele tentasse entrar.
  — Não se ele estivesse dentro da dispensa, e continuasse lá o tempo todo. — Meredith disse. — E talvez a Chave Mestra passe por cima da regra de “somente aqueles que foram convidados a entrar”.
  A Sra. Flowers disse:
  — Mesmo assim, Mama teria me contado. Além do mais, não há ferraduras na dispensa. Nenhuma.
  — Esse lance de fechaduras não deve importar, eu acho. — Elena respondeu. — Eu acho que ele só queria mostrar o quão esperto ele foi, e mostrar que ele poderia nos enganar para darmos a ele a Esfera Estelar de Misao.
  Antes que outro alguém pudesse dizer alguma palavra, Meredith estendeu a palma de sua mão, com uma chave brilhando sobre ela. A chave era de ouro com diamantes inseridos e tinha um design familiar.
  — Essa é uma das Chaves Mestras! — Gritou Elena. — Foi assim que pensáramos que as Chaves Gêmeas em formato de raposa se pareceriam!
  — Isso meio que caiu do bolso do jeans dele quando ele fez aquela pirueta. — Meredith disse inocentemente.
  — Quando você estava dando uma pirueta nele para cima de mim, você quer dizer. — Disse Elena. — Eu suponho que você tenha escolhido o bolso também.
  — Então, agora, Shinichi não tem a chave para escapar! — Matt disse animadamente.
  — Sem chave para fazer fechaduras. — Elena concordou, mostrando suas covinhas.
  — Ele pode se divertir, transformando-se em uma toupeira e cavar para sair da dispensa. — Meredith disse friamente. — Isto é, se ele tiver essa habilidade de se transformar ou algo do tipo. — Ela adicionou, com uma mudança conturbada em sua voz. — Eu me pergunto... Se devíamos fazer com que Matt contasse a outra pessoa onde ele verdadeiramente escondeu a Esfera Estelar. Só... Bem, só por precaução.
  Matt viu várias sobrancelhas juntas ao seu redor. Mas de repente, algo o atingiu e ele percebeu que tinha que contar a alguém que ele havia escondido a Esfera Estelar em seu armário. O grupo — incluindo Stefan — o tinha escolhido para escondê-la por que ele havia resistido teimosamente, quando Shinichi estava usando o corpo de Damon como um fantoche para torturá-lo um mês atrás.
  Matt havia provado, então, que ele morreria com uma dor hedionda a pôr em risco os seus amigos. Mas se Matt fosse morrer agora, a Esfera Estelar de Misao poderia se perder do grupo para sempre. E só Matt sabia o quão perto ele esteve de cair da escada junto com Shinichi hoje.
  De um lugar distante, eles ouviram um grito:
  — Olá! Tem alguém em casa? Elena!
  — Esse é o meu Stefan — Elena disse e, então, sem um pingo de dignidade, ela correu do salão de entrada até o seus braços.
  Ele olhou assustado, mas conseguiu amortecer a queda antes que ambos caíssem na varanda.
  — O que está acontecendo? — Ele disse, seu corpo vibrando infinitamente, como acontece quando se está com vontade de lutar. — A casa inteira cheira a kitsune!
  — Está tudo bem. — Elena disse. — Venha e veja.
  Ela subiu com ele as escadas até o seu quarto.
  — Nós o prendemos na dispensa. — Ela adicionou.
  Stefan parecia confuso.
  — Você prendeu quem na dispensa?
  — Com ferro em frente à porta. — Matt disse triunfantemente. — E ervas e amuletos por toda a parte. E, de qualquer forma, Meredith pegou sua chave.
  — Sua chave? Vocês estão falando do… Shinichi? — Stefan virou-se para Meredith, seus olhos verdes arregalados. — Enquanto eu estive fora?
  — Foi quase um acidente. Eu meio que coloquei minha mão em seu bolso quando ele estava piruetando e perdendo e equilíbrio. Tive sorte e peguei a Chave Mestra... A menos que essa seja uma chave de casa qualquer.
  Stefan olhou para aquilo.
  — Essa é a verdadeira. Elena sabe disso. Meredith, você é incrível!
  — Sim, essa é a verdadeira. — Elena confirmou. — Eu me lembro de seu perfil... Bem elaborada, não?
  Ela a pegou das mãos de Meredith.
  — O que você vai faz...
  — Eu poderia muito bem testá-la. — Elena disse com um sorriso travesso.
  Ela andou até a porta do quarto, fechou-a, disse “A Toca de lá debaixo” e abriu a porta, entrou e fechou a porta atrás de si.
  Antes que alguém pudesse falar, ela estava de volta, com o atiçador de lareira segurado no alto em forma de triunfo.
  — Funciona! — Stefan gritou.
  — Isso é incrível. — Matt disse.
  Stefan parecia quase febril.
  — Mas vocês não percebem o que isso significa? Significa que podemos usar esta chave. Podemos ir a qualquer lugar que quisermos sem usar Poder. Até mesmo à Dimensão das Trevas! Mas primeiro... Enquanto ele estiver aqui… Deveríamos fazer algo a respeito de Shinichi.
  — Você não está em condições de fazer isso agora, querido Stefan. — A Sra. Flowers disse, balançando a cabeça. — Desculpe, mas a verdade é que estamos sendo muito, mas muito sortudos. Aquele estranho kitsune estava de guarda baixa há poucos minutos. Ele não estará agora.
  — Eu ainda tenho que tentar. — Stefan disse silenciosamente. — Todos vocês têm sido atormentados ou tiveram de lutar... Com seus punhos ou suas mentes. — Ele adicionou, inclinando-se ligeiramente para a Sra. Flowers. — Eu sofri, mas nunca tive a oportunidade de lutar com ele. Eu tenho que tentar.
  Matt disse, bem silenciosamente:
  — Eu vou com você.
  Elena adicionou:
  — Todos nós podemos lutar juntos. Certo, Meredith?
  Meredith concordou bem devagar, pegando o atiçador de Stefan de sua própria lareira.
  — Sim. Pode ser um golpe baixo, mas... Estaremos juntos.
  — Eu diria que é um golpe superior, melhor do que deixá-lo viver e ferir as pessoas. De qualquer forma, vamos cuidar disso... Juntos. — Elena disse firmemente. — Agora!
  Matt começou a se levantar, mas seu movimento foi congelado no ar enquanto ele olhava aquela cena com horror.
  Simultaneamente, com a graça de leoas de caça ou de duas bailarinas, as duas garotas chegaram mais perto de Stefan e, ao mesmo tempo, elas balançaram seus atiçadores. Elena o atingiu na cabeça e Meredith bateu em cheio em sua virilha. Stefan cambaleou para longe do golpe da cabeça, mas simplesmente disse “Ai!” quando Meredith o acertou. Matt tirou Elena do caminho e então, virando-se precisamente como se estivesse no campo de futebol, tirou Meredith do caminho de “Stefan” também.
  Mas este impostor obviamente havia decidido não contra-atacar.
  A forma de Stefan se dissolveu.
  Misao, com folhas verdes entrelaçadas nos cabelos negros com pontas escarlates, estava diante deles.
  Para o choque de Matt, sua cara estava chupada e pálida. Estava bem claro que ela estava bem doente, mas ainda continuava sendo desafiadora. Mas não havia nenhum escárnio em sua voz esta noite.
  — O que vocês fizeram com a minha Esfera Estelar? E com o meu irmão? — Ela exigiu debilmente.
  — Seu irmão está seguramente trancado. — Matt disse, sem muito saber o que ele estava dizendo a ela. Sem contar os crimes que Misao havia cometido, ele não podia evitar de ter pena dela. Ela estava claramente desesperada e doente.
  — Eu sei disso. Eu quis dizer que meu irmão vai matar vocês todos... Não só por esporte, mas com raiva. — Agora, Misao parecia assustada e miserável. — Vocês nunca o viram realmente nervoso.
  — Vocês nunca viram Stefan nervoso também. — Elena disse. — Pelo menos, não quando ele tinha todo o seu Poder.
  Misao simplesmente sacudiu sua cabeça. Uma folha seca caiu de seu cabelo.
  — Vocês não entendem!
  — Duvido que entendamos alguma coisa. Meredith, nós fomos atrás desta garota?
  — Não, mas certamente não foi ela quem trouxe aquele outro...
  Elena disse secamente:
  — Matt, vai pegar um livro para ler. Eu te digo quando terminarmos.
  Matt estava relutante em dar as costas a uma kitsune, mesmo uma doente. Mas quando a Sra. Flowers concordou gentilmente, ele obedeceu.
  Ainda assim, de costas ou não, ele pôde ouvir ruídos. E os barulhos sugeriram que Misao estava sendo presa firmemente e revistada minuciosamente.
  — Huh-uh... huh-uh... huh-uh… huh-oops!
  Houve um barulho de metal na madeira.
  Matt só virou-se quando Elena disse:
  — Ok, você pode olhar. Isso estava em seu bolso da frente. — Ela adicionou para Misao, que parecia estar prestes a desmaiar: — Não queríamos ter de te segurar e revistar. Mas esta chave... Onde, em nome de Deus, vocês conseguiram uma desta, afinal?
  Uma mancha rosa apareceu nas bochechas de Misao.
  — Você acertou, no céu. Elas são as únicas Chaves Mestras que sobraram... E elas pertencem a Shinichi e a mim. Eu descobri como roubá-las da Corte Celestial. Isso foi... Há muito tempo atrás.
  Neste momento, eles ouviram um carro na estrada: o Porsche de Stefan.
  No silêncio mortal que se seguiu, eles também puderam ver o carro através da janela de Stefan enquanto ele parava na calçada.
  — Ninguém desce. — Elena disse secamente. — Ninguém o convide para entrar.
  Meredith lançou para ela um olhar aguçado.
  — Shinichi pode ter saído por um túnel como uma toupeira. E ele foi convidado para entrar.
  — É minha culpa por não ter avisado a todos vocês... Mas de qualquer forma, se for Shinichi e ele fizer qualquer coisa para machucar Stefan, ele verá a mim nervosa.   As palavras Asas da Destruição simplesmente saltaram em minha cabeça e algo dentro de mim quer dizê-las.
  Houve um arrepio na sala.
  Ninguém fora ao encontro de Stefan, mas em instantes eles todos podiam ouvir o barulho de passos. Stefan apareceu em sua porta, escancarada, e viu-se confrontando uma fila de pessoas olhando para ele com desconfiança.
  — Mas que diabos está acontecendo? — Ele exigiu, encarando Misao, que estava sendo presa entre Meredith e Matt. — Misao...
  Elena deu dois passos em direção a ele... E ficou em volta dele, puxando-o em um beijo profundo. Por um momento ele resistiu, mas depois, pouco a pouco, sua oposição entrou em colapso, apesar da sala cheia de observadores.
  Quando Elena finalmente o soltou, ela simplesmente encostou-se em Stefan, respirando com dificuldade. Os outros estavam todos vermelhos de vergonha. Stefan, bastante corado, segurou-a firmemente.
  — Me desculpe. — Elena sussurrou. — Mas você já “chegou em casa” duas vezes. Na primeira, era Shinichi e o trancamos na dispensa. Então, foi ela. — Ela apontou, sem olhar, para a encolhida Misao. — Eu não sabia como ter certeza que Shinichi não havia escapado de alguma forma...
  — E você tem certeza agora?
  — Ah, sim. Eu reconheço você. Você está sempre pronto para me deixar entrar.
  Matt percebeu que ela estava tremendo e rapidamente se levantou para que ela pudesse sentar, por no mínimo um minuto ou dois, em paz.
  A paz durou menos que um minuto.
  — Eu quero minha Esfera Estelar! — Misao gritou. — Preciso colocar Poder dentro dela ou eu vou enfraquecer... E então vocês vão me matar.
  — Enfraquecer? O líquido está evaporando da Esfera Estelar ou coisa assim? — Meredith perguntou.
  Matt estava pensando no que ele havia visto na rua de sua casa, antes dos policiais de Ridgemont o pegarem.
  — Você já reuniu Poder para colocar nela? — Ele perguntou suavemente. — Poder do dia de ontem, talvez?
  — Desde que vocês a pegaram. Mas isso não se une a... Mim. Une-se com a Esfera Estelar. Ela é minha, mas não por enquanto.
  — Tipo um pouco de Poder ao fazer Cole Reece comer seu porquinho-da-índia enquanto ele estava vivo? Ao fazer as crianças queimarem suas próprias casas? — A voz de Matt estava grave.
  — O que isto importa? — Misao respondeu com mau humor. — Ela é minha. Fora minhas ideias, não suas. Você não pode me afastar del...
  — Meredith, me tire de perto dela. Eu conheço aquela criança, Cole, desde que ele nasceu. Eu terei pesadelos para sempre...
  Misao animou-se igual uma planta murcha ao receber água.
  — Ter pesadelos, ter pesadelos. — Ela sussurrou.
  Houve um silêncio. Então Meredith disse, cuidadosa e inexpressivamente, enquanto ela estava pensando na estaca:
  — Você é uma coisa nojenta, sabia? Isso é o seu alimento? Lembranças ruins, pesadelos, medo do futuro?
  Misao estava simplesmente perplexa. Ela não conseguia ver onde ela queria chegar. Seria o mesmo que perguntar a uma adolescente normal e faminta: “Que tal um pouco de pizza e uma Coca-Cola? É isso que você quer?” Misao nem ao menos podia ver que seu apetite era errado, então ela não podia mentir.
  — Você está certa em uma coisa. — Stefan disse com força. — Nós temos sua Esfera Estelar. A única forma de fazer com que a devolvamos seria fazer algo por nós. Eu acho que podemos te controlar de qualquer forma, porque a temos...
  — Que jeito ultrapassado de se pensar. Obsoleto. — Misao rosnou.
  Houve um silêncio mortal. Matt sentiu seu estômago despencar.
  Todos eles estiveram apostando no “jeito ultrapassado de se pensar”. Para conseguir a Esfera Estelar de Shinichi ao fazer Misao contar a eles onde ela estava.
  O objetivo final deles era controlar Shinichi usando sua Esfera Estelar.
  — Vocês não entendem. — Misao disse lamentavelmente, mas com raiva ao mesmo tempo. — Meu irmão vai me ajudar a preencher minha Esfera Estelar novamente. Mas o que fizemos a esta cidade... Foi uma ordem, não só diversão.
  — Pode tentar nos enganar.
  Elena murmurara, mas a cabeça de Stefan se ergueu e ele disse:
  — Uma ordem? De quem?
  — Eu... Não... Sei! — Misao gritou. — Shinichi é quem recebe as ordens. Então ele me conta o que fazer. Mas quem quer que seja, deve estar feliz agora. A cidade está quase destruída. Ele deveria me dar uma ajudinha aqui!
  Ela olhou para o grupo, e eles olharam para trás.
  Sem saber que ele ia dizer isto, Matt disse:
  — Vamos colocá-la no porão junto com Shinichi. Estou com a sensação de que todos devíamos ir dormir no armazém hoje à noite.

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