Leitura Semanal - Diários do Vampiro, o retorno: Meia-Noite #11
Acho o 20º capítulo o melhor!
Sinopse: Elena retorna da Dimensão das Trevas, tendo liberto seu namorado vampiro Stefan Salvatore do aprisionamento... Mas não sem uma consequência. Sua salvação custará bastante. Ainda se recuperando do último choque, eles são forçados a encarar os demônios que dominaram Fell's Church. Elena deve tomar uma decisão que custará seu amor: Damon ou Stefan?
Obs.: Caso for copiar, favor creditar o site.
Capítulos anteriores:
Capítulo
19
Bonnie decidiu, em
preciosos segundos que pareceram se esticar por horas, que o que quer que fosse
acontecer, aconteceria, não importasse o que ela fizesse. Havia também a
questão do seu orgulho. Ela sabia que havia pessoas que iriam rir disso, mas
era verdade. Tirando os Poderes de Elena, Bonnie era a única que estava bem
acostumada a confrontar as trevas. Ela, de alguma forma, sobrevivera a tudo
isso. E em breve, ela não sobreviveria. Mas do jeito que as coisas iam, seu
orgulho era a única coisa que lhe restara.
Ela ouviu gritos bem sonoros e então ela os
ouviu parar.
Bem, isso foi tudo que ela pôde fazer no
momento: parar de gritar.
A escolha havia sido feita. Ela iria cair,
intacta, desafiadora... E em silêncio.
No momento em que ela parou de gritar,
Shinichi fez um gesto e o ogro que a carregava parou de levá-la até a janela.
Ela devia sabia. Ele era um valentão.
Valentões querem ouvir dor ou pessoas em estágios miseráveis. O ogro levantou
seu rosto ao nível do de Shinichi.
— Animada com sua viagem só de ida?
— Empolgada. — Ela disse sem demonstrar
expressão.
Hey, ela pensou, eu não sou tão ruim neste
lance de ser corajosa.
Mas tudo dentro dela tremia duplamente, o que
compensava o seu rosto de pedra.
Shinichi abriu a janela.
— Continua empolgada?
Agora que isso
havia sido feito, a janela ter sido aberta, ela não teria que bater seu rosto
no vidro até que ele se quebrasse e ela saísse voando pelo céu. Não haveria dor
até que ela alcançasse o chão e ninguém notaria nada, nem mesmo ela.
Continue firme
e conforme-se, Bonnie pensou.
A brisa fresca da janela a havia dito que
esse... Lugar... Esse depósito de escravos... Era onde os clientes tinham
permissão para vasculhar os escravos até que eles encontrassem algo de
errado... Estava bem ventilado por ali.
Eu estarei fresquinha, mesmo que por um
segundo ou mais, ela pensou.
Quando uma porta próxima a eles fora aberta,
Bonnie quase saiu das garras do ogro, e quando a sua própria porta fora aberta,
ela quase saiu de sua própria pele.
Será possível? Algo loucamente disparou sobre
ela. Estou salva! Só tive que bancar
um pouco a valente e agora...
Mas era a irmã de Shinichi, Misao. Misao
aparentava estar gravemente doente, com sua pele acinzentada, segurando-se na
porta para manter-se de pé. A única coisa que não estava acinzentada nela eram
seus brilhantes cabelos pretos, com pontas vermelhas nas extremidades, iguais
às de Shinichi.
— Espere! — Ela disse a Shinichi. — Você nem
ao menos perguntou...
— Você acha que uma cabeça de vento como ela
saberia? Mas façamos do seu jeito. — Shinichi sentou Misao no sofá, massageando
seus ombros para deixá-la confortável. — Eu perguntarei.
Então era ela
que estava no quarto do espelho de duas vias, Bonnie pensou. Ela parece estar
bem mau. Tipo, prestes a morrer.
— O que aconteceu com a Esfera Estelar de
minha irmã? — Shinichi exigiu e então Bonnie viu como tudo se transformava em
um círculo, com um começo e um fim; e ao entender isso, ela sabia morreria com
um pouco de dignidade.
— A culpa é minha. — Ela disse com um
sorrisinho, enquanto se lembrava. — Ou tenho metade da culpa. Sage usou-a para
abrir o Portal lá na Terra. E então...
Ela lhes contou a história, como nunca havia
feito antes, colocando ênfase em como ela
havia dado a Damon as pistas para encontrar a Esfera Estelar de Misao, e que
havia sido Damon quem havia usado-a para abrir um Portal ao topo da Dimensão
das Trevas.
— Isso tudo é um círculo. — Ela explicou. —
Que volta para vocês.
E então, apesar da situação, ela começou a
rir.
Em dois passos, Shinichi havia atravessado a
sala e começado a bater nela.
Ela não soube quantas vezes ele fez isso. A
primeira vez foi o suficiente para fazê-la arfar e parar com os risos. Depois
de sentir suas bochechas inchadas, como se estivesse com um caso muito doloroso
de caxumba, seu nariz começou a sangrar.
Ela tentou limpá-lo no ombro, mas não parava.
Por fim, Misao disse:
— Eca. Solte as mãos dela e lhe dê uma toalha
ou algo assim.
O ogro se moveu enquanto Shinichi ainda lhe
dava a ordem.
Shinichi, agora, estava sentado ao lado de
Misao, falando com ela delicadamente, como se ele estivesse falando com um bebê
ou com um adorado animal de estimação. Mas os olhos de Misao, com suas pequenas
chamas dentro deles, eram claros e adultos enquanto ela olhava para Bonnie.
— Onde minha Esfera Estelar está neste
momento? — Ela perguntou com um terrível olhar acinzentado e intenso.
Bonnie, que estava limpando o nariz,
sentindo-se feliz por não estar algemada pelas costas, se perguntou por que ela
não estava tentando pensar em uma mentira. Tipo, me liberte e eu os levarei até
ela. Então, lembrou que Shinichi tinha sua maldita telepatia kitsune.
— Como eu poderia saber? — Ela disse
logicamente. — Eu estava tentando afastar Damon do Portal quando ambos caímos.
Ela não veio conosco. Pelo o que eu sei, a poeira pode tê-la derrubado e seu
líquido todo se derramou.
Shinichi levantou-se para machucá-la novamente,
mas ela estava simplesmente dizendo a verdade.
Misao já estava falando:
— Sabemos que isso não aconteceu por que eu
ainda estou... — Ela parou para respirar: — Viva.
Ela virou seu rosto chupado e acinzentado
para Shinichi e disse:
— Você está certo. Ela é inútil, e não possui
as informações no qual precisamos. Jogue-a fora.
Um ogro a pegou, com toalha e tudo. Shinichi
chegou pelo outro lado.
— Você entende
o que fez com minha irmã? Entende?
Não há mais tempo. Só um Segundo para pensar se
ela iria bancar a durona ou não. Mas o que ela poderia dizer para demonstrar
que era corajosa? Ela abriu sua boca, sem ao menos saber se o que estava
prestes a sair por ali era um grito ou palavras.
— Ela vai estar com uma aparência bem pior
quando meus amigos acabarem com ela. — Ela disse, e então viu nos olhos de
Misao que ela havia acertado na mosca.
— Jogue-a fora!
— Shinichi gritou, lívido em fúria.
E então, o ogro a arremessou pela janela.
Meredith estava sentada com seus pais,
tentando entender o que estava acontecendo. Ela havia terminado sua incumbência
em tempo recorde: dando zoom nas
escritas dos jarros feitos; ligando para a família Saitou e descobrir que elas
não estariam em casa antes do meio-dia. Então, ela havia examinado e numerado
individualmente cada caractere que havia nas fotos que Alaric havia mandado.
A Saitou estavam... Tensas. Meredith não
ficara surpresa, uma vez que Isobel havia sido uma das primeiras inocentes a
transportarem aqueles terríveis malach dos kitsune. Uma das piores vítimas
havia sido seu namorado, Jim Bryce, que havia adquirido o malach de Caroline e
passado para Isobel sem saber o que estava fazendo. Ele mesmo havia sido
possuído pelos malach de Shinichi e havia demonstrado ter todos os hediondos
sintomas da Síndrome de Lesch-Nyhan, comendo seus próprios lábios e dedos,
enquanto a pobre Isobel usou agulhas enferrujadas — às vezes, algumas tachinhas
— em várias partes de seu corpo, sem falar que ela havia cortado sua língua com
uma tesoura.
Isobel estava fora do hospital e estava se
recuperando. Ainda assim, Meredith estava confusa. Ela obteve êxito com o zoom nos caracteres dos jarros por causa
das Saitou mais velhas: Obaasan (avô de Isobel) e a Sra. Saitou (mãe de Isobel)
— mas elas discutiam, tentando entrar em um acordo, sobre cada caractere em
japonês. Ela estava prestes a entrar no carro quando Isobel correu de sua casa
com um pacote de Post-It em suas mãos.
— Mamãe os fez... No caso de vocês
precisarem. — Ela arfou em sua nova voz enrolada e suave.
Meredith pegou o pacote dela agradecida,
murmurando algo estranho sobre fazer algo por elas em troca.
— Não, mas... Mas posso dar uma olhadinha nos
seus Post-It? — Isobel ofegou.
Por que ela estava ofegando tanto? Meredith
se perguntou.
Mesmo se ela tivesse corrido do último andar
até o carro de Meredith isso não teria acontecido.
E então, Meredith se lembrou: Bonnie havia
dito que Isobel tinha o coração “acelerado”.
— Veja bem — Isobel disse com o que parecia
ser vergonha e um pedido de compreensão. — Obaasan está quase cega... E faz um
bom tempo desde que Mamãe esteve na escola... Mas eu estou fazendo aulas de japonês.
Meredith estava tocada. Obviamente, Isobel
sentia-se mal-educada por contrariar um adulto, quando ele estava próximo. Mas
aqui, sentada no carro, Isobel havia pegado cada Post-It e escrito atrás uma
caractere similar, mas bem diferente.
Demorou vinte minutos.
Meredith se sentiu admirada.
— Mas como você se lembra de todos eles? Como
você não escreve outro, por engano? — Ela deixou escapar, depois de ver os
símbolos complicados que só se diferenciavam por causa de algumas linhas.
— Com ajuda de dicionários. — Isobel havia
dito, e, pela primeira vez, deu uma risada. — Não, estou falando sério... Para
escrever uma carta muito boa, você não usa um Dicionário de Sinônimos, um
Corretor Autográfico ou...?
— Eu uso isso tudo para qualquer coisa! — Meredith riu.
Foi um momento bem legal, ambas sorrindo,
relaxadas. Sem problemas. O coração de Isobel estava bem.
E então, Isobel havia corridor para dentro, e
quando ela se foi, Meredith ficou olhando para um círculo redondo e úmido que
estava no banco do passageiro. Uma lágrima. Mas por que Isobel estava chorando?
Porque ela havia se lembrado do malach? Ou
por causa de Jim?
Porque levaria muitas cirurgias plásticas
antes que suas orelhas voltassem a ser o que eram antes?
Nenhuma das respostas que Meredith pensou
fazia sentindo. E ela teve que correr para chegar em sua própria casa — e
estava atrasada.
Foi só então que Meredith foi atingida por um
fato. A família Saitou sabia que Meredith, Matt e Bonnie eram amigos. Mas
nenhuma delas havia perguntado sobre Bonnie ou Matt.
Que estranho.
Se ela ao menos soubesse o quão estranho a
visita à sua família seria...
Capítulo
20
Meredith sempre achava
que seus pais eram engraçados, bobinhos e queridos. Eles eram solenes sobre
coisas erradas, como: “Certifique-se, querida, que você realmente conhece
Alaric... Antes que... Antes que...”
Meredith não tinha nenhuma dúvida a respeito
de Alaric, e ele era outro daquelas pessoas bobinhas, queridas e valentes, que
falam sobre as coisas sem irem direto ao assunto.
Hoje, ela estava surpresa em ver que não
havia fileiras de carros ao redor da casa ancestral. Talvez as pessoas tiveram
que ficar em casa para lugar com seus próprios filhos. Ela olhou para o Acura,
consciente dos preciosos presentes de Isobel, e tocou a campainha. Seus pais
acreditavam em fechaduras.
Janet, a governanta, parecia feliz ao vê-la,
mas também aparentava estar nervosa.
Aha, Meredith pensou, eles descobriram que
sua filha tem assaltado o sótão.
Talvez eles queiram a estaca de volta. Talvez
eu devesse tê-la deixado lá na pensão.
Mas ela só percebeu que as coisas estavam bem
sérias quando ela entrou e viu que a grande poltrona de descanso La-Z-Boy,
versão deluxe, o trono de seu pai, estava vazia.
Seu pai estava sentado no sofá, abraçando sua
mãe, que estava soluçando.
Ela havia trazido a estaca consigo, e quando
sua mãe a viu, ela rompeu-se em uma explosão de lágrimas.
— Olhem — Meredith disse. —, isso não tem que
ser trágico. Eu tenho uma boa ideia do que está acontecendo. Se vocês quiserem
me contar como o vovô e eu nos machucamos, seria maravilhoso. Mas eu... Algum
dia ia...
Ela parou. Ela mal pôde acreditar. Seu pai
estava com um braço em cima dela, como se o volume de suas roupas não
importassem. Ela foi em direção a ele bem devagar, desconfortavelmente, e o
deixou abraçá-la sem se importar com seu terno Armani. Sua mãe tinha em sua
frente um copo, no qual sobraram algumas gotas, do que parecia ser Coca-Cola,
mas Meredith poderia apostar que não havia só Coca lá.
— Esperávamos que aqui fosse um lugar de paz.
— Seu pai discursou. Cada sentença que seu pai falava era um discurso. Você
meio que se acostumava. — Nunca sonhamos…
E então, ele parou.
Meredith estava aturdida. Seu pai nunca
parava no meio de um discurso. Ele não pausava. E, certamente, ele não chorava.
— Pai! Paizinho! O que foi? Foram as crianças
da vizinha, as malucas? Elas machucaram alguém?
— Temos que te contar a história toda, desde
o começo. — Seu pai... Disse.
Ele falava com tanto desespero que não
parecia nem um pouco um discurso.
— Nós todos fomos... Atacados.
— Por um vampiro. Seu avô. Ou você sabe?
Longa pausa. Então, sua mãe bebeu o resto que
havia em seu copo e disse:
— Janet, mais um, por favor.
— Agora, Gabriella...? — Seu pai disse,
repreendendo.
— Nando... Eu não posso suportar. Só de
pensar em mi hija inocente…
Meredith disse:
— Olhem, eu acho que posso facilitar para
vocês. Eu já sei... Bem, primeiro, que eu tinha um irmão gêmeo.
Seus pais olharam-na horrorizados. Eles se
agarraram, arfando.
— Quem te contou? — Seu pai exigiu. — Lá na
pensão, como você poderia saber...?
Hora de acalmar as coisas.
— Não, não. Pai, eu descobri... Bem, vovô
falou comigo. — Isso era uma meia-verdade. Ele havia falado. Mas não sobre seu
irmão. — De qualquer forma, foi assim que eu consegui a estaca. Mas o vampiro
que nos feriu está morto. Ele era um serial
killer, e foi ele que matou Vicki e Sue. Seu nome era Klaus.
— Você pensou que havia só um vampiro? — Sua mãe se mostrou presente.
Ela pronunciou as coisas de modo hispânico, no qual Meredith sempre achou mais
medonho.
Vahm-peer.
O universo pareceu se mover mais devagar ao
redor de Meredith.
— Foi só um palpite. — Seu pai disse. — Não
sabemos se havia realmente mais do que aquele vampiro fortão.
— Mas vocês sabem sobre o Klaus... Como?
— Nós o vimos. Ele era forte. Ele matou os
guardas de segurança no portão com um só fôlego. Nos mudamos para uma nova
cidade. Esperávamos que você nunca soubesse que tinha um irmão. — Seu pai
limpou seus olhos. — Seu avô falou conosco, logo após o ataque. Mas no dia
seguinte... Nada. Ele nem ao menos podia conversar.
Sua mãe colocou seu rosto em suas mãos. Ela
só levantou para dizer:
— Janet! Mais um, por favor!
— A caminho, madame.
Meredith olhou para os olhos azuis da
governanta à procura da solução do mistério, mas não encontrou nada...
Simpatia, talvez, mas nenhum sinal de ajuda.
Janet saiu com o copo vazio, com uma trança à
francesinha escorrendo pelas costas.
Meredith voltou a olhar seus pais, com olhos
e cabelos escuros, pele da cor de azeitona. Eles estavam abraçados novamente,
os olhos grudados nela.
— Mãe, pai, eu sei que isso é bem difícil.
Mas eu caço esses tipos de pessoa que machucaram o vovô, a vovó e o meu irmão.
É perigoso, mas eu tenho que fazer.
Ela ficou em posição de Taekwondo.
— Quero dizer, vocês me treinaram.
— Mas contra a sua própria família? Você
poderia fazer isso? — Sua mãe gritou.
Meredith sentou. Ela havia alçado o fim de o
fim das memórias que ela e Stefan haviam descoberto.
— Então, Klaus não o matou assim como fez com
a vovó. Ele levou meu irmão consigo.
— Cristian. — Lamentou sua mãe. Ele era só un bebé. Três anos! Foi quando
encontramos vocês dois... E o sangue... Oh, o sangue…
Seu pai se levantou, não para discursar, mas
para colocar as mãos nos ombros de Meredith.
— Pensamos que seria mais fácil não contar a
você... Que você não teria qualquer lembrança daquilo que aconteceu quando
chegamos aqui. E você não tem, não é?
Os olhos de Meredith estavam cheios de lágrimas.
Ela olhou para sua mãe, tentando silenciosamente dizer-lhe que ela entendia.
— Ele bebeu meu sangue? — Ela adivinhou. —
Klaus?
— Não! — Gritou seu pai enquanto sua mãe
sussurrava orações. — Ele bebeu o de Cristian, na hora.
Meredith estava ajoelhada no chão agora,
tentando olhar para o rosto de sua mãe.
— Não! — Gritou seu pai mais uma vez. Ele
estava chocado.
— La
sangre! — Arfou sua mãe, cobrindo os olhos. — O sangue!
— Querida...
— Seu pai soluçou, e foi até ela.
— Pai! — Meredith foi atrás dele e sacudiu
seu braço. — Você foi além das possibilidades! Eu não entendo. Quem estava
bebendo sangue?
— Você!
Você! — Sua mãe quase gritou. — Do
seu próprio irmão! Oh, el
aterrorizar!
— Gabriella! — Gemeu seu pai.
A mãe de Meredith se abaixou e chorou.
A cabeça de Meredith estava girando.
— Eu não sou uma vampira! Eu caço vampiros e
os mato.
— Ele disse... — Seu pai sussurrou com voz
rouca— “Certifiquem-se de que ela tome uma colher de chá por semana. Se querem que
ela viva, isso é o bastante. Experimentem um pudim preto.” Ele estava rindo.
Meredith não precisou perguntar se eles
haviam obedecido. Em sua casa, eles tinham salsicha sangrenta ou pudim preto
pelo menos uma vez por semana. Ela cresceu comendo isso. Não era nada de
especial.
— Por quê? — Ela quem sussurrara com a voz
rouca agora. — Por que ele não me matou?
— Eu não sei! Nós ainda não sabemos! Aquele
homem com a boca escorrendo sangue... Seu sangue, do seu irmão, não sabemos! E
então, no último minuto ele pegou vocês dois, mas você mordeu bem forte sua
mão. — Seu pai disse.
— Ele riu... Riu! Com seus dentes à mostra e
as suas mãozinhas tentando se afastar dele, e então disse: “Deixarei essa aqui,
então, assim vocês poderão se preocupar com o que ela se tornará. O garoto eu
levarei comigo.” E então, de repente, parecia que eu havia saído de um feitiço
e estava alcançando você novamente, pronto para lutar com ele para ter a ambos.
Mas eu não pude. Uma vez que eu tinha você, não pude me mover nem mais um
centímetro. E ele saiu da casa ainda rindo... E levou seu irmão, Cristian,
consigo.
Meredith pensou: Não é de se imaginar que
eles não queriam guardar nenhuma dessas lembranças nos aniversários nos anos
seguintes. Sua avó morrera, seu avô enlouqueceu, seu irmão se perdeu e ela... O
que? Não era de se admirar que eles celebrassem seu aniversário uma semana
depois.
Meredith tentou ficar calma. O mundo estava
se despedaçando em pedaços ao seu redor, mas ela tinha que ficar calma. Ficando
calma havia deixado ela viva esse tempo todo. Nem era preciso contar que ela
estava respirando profundamente, às vezes pelo nariz, às vezes pela boca. Profundas,
profundas e claras respirações. Mandando paz para o seu corpo. Só uma parte sua
estava ouvindo sua mãe:
— Viemos mais cedo para casa naquela noite
por que eu tive uma enxaqueca...
— Shh, querida...
— Seu pai havia começado.
— Nós chegamos mais cedo. — Sua mãe se
ajoelhou. Ô, Virgen Bendecida, o que
teríamos encontrado caso tivéssemos voltado bem tarde? Poderíamos ter perdido
você, também! Meu bebê! Meu bebê com sangue em sua boca…
— Mas chegamos em casa cedo o bastante para
salvá-la. — O pai de Meredith disse com voz rouca, como se tentasse acordar sua
mãe de um feitiço.
— Ah, gracias,
Princesa Divina, Virgen pura y impoluto... — Sua mãe parecia não ser capaz
de parar de chorar.
— Papai — Meredith disse urgentemente,
sentindo as dores de sua mãe, mas precisando de informações. — Vocês nunca mais
o viram novamente? Ou ouviram falar dele? Meu irmão, Cristian?
— Sim. — Seu pai disse. — Ah, sim, nós vimos
algumas coisas.
Sua mãe arfou.
— Nando, não!
— Uma hora, ela tem que saber a verdade. —
Seu pai disse.
Ele vasculhou entre algumas pastas de
arquivos de papelão que estavam sobre a mesa.
— Veja! — Ele disse à Meredith. — Veja isso.
Meredith olhou com descrença absoluta.
Na Dimensão das Trevas, Bonnie fechou seus
olhos. Havia muito vento do topo da janela daquele prédio alto. Isso era tudo
que sua mente pensou quando ela saiu pela janela e entrou novamente; o ogro
estava rindo e a voz terrível de Shinichi disse:
— Você não achou que fôssemos deixá-la ir sem
que eu terminasse o meu interrogatório,
né?
Bonnie ouviu as palavras sem que elas
fizessem sentido, e então, de repente, elas fizeram.
Seus sequestradores iriam machucá-la. Eles
iriam torturá-la. Eles estavam prestes a levar sua bravura para longe.
Ela pensou que havia gritado algo para ele.
Tudo o que ela sabia, porém, foi que houve uma suave explosão de calor atrás
dela, e então — inacreditavelmente —, lá estava ele, vestindo um manto com
distintivos que faziam com que ele parecesse um príncipe militar: Damon.
Damon.
Ele estava tão atrasado que ela havia
desistido dele há muito tempo. Mas agora, ele estava dando aquele sorriso de
matar para Shinichi, quem estava olhando como se fosse um retardado.
E agora, Damon estava dizendo:
— Temo que a Srta. McCullough tenha outro
compromisso no momento. Mas eu
voltarei para acabar com vocês… O mais
rápido possível. Andarei pelo quarto e matarei a todos vocês, bem devagar.
Obrigado por nos dar o seu tempo e a sua consideração.
E antes que alguém pudesse se recuperar do
primeiro choque de sua chegada, ele e Bonnie estavam saindo pela janela. Ele
saiu, não recuando para a porta em que havia chegado, mas sim sempre em frente,
uma mão na frente de seu corpo, cobrindo-os completamente com o Poder negro e
etéreo. Eles passaram pela janela de duas vias no quarto de Bonnie e já haviam
passado por mais da metade do outro quarto antes que a mente de Bonnie o
denominasse como “vazio”. Então, eles estavam passando por uma janela bem
elaborada — fazendo com que as pessoas pensassem que eles tinham uma visão do
que estava acontecendo lá de fora —, e voaram acima de alguém que estava
deitado sobre uma cama. Então... Houve uma série de destruições, tantas que
Bonnie não conseguiu contar. Ela mal tinha um vislumbre do que estava
acontecendo em cada quarto. Finalmente...
As destruições pararam. Isso fez com que
Bonnie se segurasse em Damon ao estilo coala — ela não era estúpida — e eles
foram para bem, bem alto no céu. Na frente deles, e dos lados, pelo o que
Bonnie pôde ver, havia mulheres que também estavam voando, mas com a ajuda de
máquinas que pareciam a mistura de uma moto com um jet ski. Só que sem a parte
debaixo, é claro. As máquinas eram todas douradas, no qual eram da mesma cor
que o cabelo de suas motoristas.
Assim, a primeira palavra que Bonnie arfou
para seu salvador, depois dele ter feito um imenso túnel no prédio da dona dos
escravos para salvá-la, foi:
— Guardiões?
— Indispensáveis, considerando o fato de que
eu não tinha ideia de onde os vilões tinham te levado e suspeitei que meu tempo
estivesse se esgotando. Na verdade, esse foi o último depósito de escravos que
eu chequei. Nós finalmente... Nos reencontramos.
Para alguém que havia tido um reecontro, ele
parecia um pouco estranho. Quase... Chocado.
Havia água na bochecha de Bonnie, mas ela
havia sumido rápido demais para que ela pudesse limpá-la. Damon estava
segurando-a, assim ela não pôde verseu rosto, e ele a estava segurando bem, bem
próximo ao seu corpo.
Esse era o Damon. Ele havia chamado a
cavalaria e, apesar do grande empecilho que ocorria neste momento, ele havia a
encontrado.
— Eles te machucaram, não é, passarinho? Eu
vi... Vi o seu rosto. — Damon disse em sua nova voz chocada.
Bonnie não sabia o que dizer. Mas, de
repente, ela não se importava o quão forte ele a apertava. Ela mesma
encontrou-se apertando de volta.
De repente, para o seu choque, Damon se
desfez do abraço de coala e a puxou para cima, beijando seus lábios bem
gentilmente.
— Passarinho! Estou prestes a voltar lá, e
fazer com que eles paguem pelo o que fizeram contigo.
Bonnie ouviu-se dizer:
— Não, não vá.
— Não? — Damon repetiu, aturdido.
— Não. — Bonnie disse.
Ela precisava dele junto dela. Ela não se
importava com o que aconteceria com Shinichi. Havia uma doçura correndo dentro
dela, mas também havia adrenalina em sua cabeça. Era realmente uma pena, mas em
alguns minutos ela estaria inconsciente.
Enquanto isso, ela teve três pensamentos na
cabeça e todos eles estavam bem claros. Ela temia que eles ficassem menos
claros mais tarde, depois dela acordar de seu desmaio.
— Você tem uma Esfera Estelar?
— Tenho vinte e oito Esferas Estelares. —
Damon disse, e olhou para ela intrigado.
Não foi isso que Bonnie quis dizer; ela
queria uma para guardar uma lembrança.
— Você pode se lembrar de três coisas? — Ela
disse a Damon.
— Me prenderei nisto.
Desta vez, Damon beijou-a delicadamente em sua
testa.
— Primeiro, você arruinou a minha morte
digna.
— Podemos voltar e você pode tentar
novamente. — A voz de Damon estava menos chocada agora; começando a voltar para
a sua normal.
— Segundo, você me deixou lá durante uma
semana...
Como se ela pudesse ver dentro de sua mente,
ela viu esse lado dele que parecia bem frágil. Ele estava segurando-a tão
gentilmente que ela mal podia respirar.
— Eu... Eu não fiz de propósito. Foram só
quatro dias, mas eu nunca devia ter feito isso. — Ele disse.
— Terceiro — A voz de Bonnie passou a ser um
sussurro: — Não acho que alguma Esfera Estelar tenha sido roubada. O que nunca
existiu não pode ser roubada, certo?
Ela olhou para ele. Damon estava olhando de
boca de uma forma que, normalmente, a faria tremer. Ele estava obviamente
desestressado. Mas Bonnie mal conseguia se prender consciente.
— E... Quarto... — Ela soltou
devagar.
— Quarto? Você disse três
coisas. — Damon sorriu, só um pouquinho.
— Eu tenho que dizer isso... — Ela deixou
cair sua cabeça em direção ao ombro de Damon, focando toda sua energia, e se
concentrou.
Damon soltou o seu abraço um pouquinho. Ele
disse:
— Só posso ouvir um barulhinho em minha
cabeça. Diga-me normalmente. Estamos longe de todos.
Bonnie continuava insistindo. Ela espremeu
todo o seu corpinho e então explodiu uma mensagem. Ela poderia dizer que Damon
a captou.
Quarto,
eu sei o caminho para os sete tesouros lendários kitsune, Bonnie lhe enviou. Isso inclui a maior Esfera Estelar já
feita. Mas se a queremos, teremos que... Ir rápido.
Então, sentindo que ela havia contribuído o
bastante para a conversa, ela desmaiou.












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